Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Guerra foi criticado por torcedores por não pontuar bem em uma rodada do Cartola Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Expostos, jogadores reclamam e viram 'vítima' dos torcedores

Atletas tratam o Cartola como tabu e são cobrados por não pontuarem bem, mesmo o time vencendo o jogo

Ciro Campos, Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2017 | 16h59

Adorado por torcedores, o Cartola é motivo de muita polêmica entre os jogadores que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Alguns gostam, mas a maioria não quer nem ouvir falar e tratam o assunto como uma espécie de tabu.

O Estado conversou com alguns jogadores, mas nenhum deles aceitou se expor e admitir publicamente que não gosta do jogo. “É complicado você jogar bem e depois saber que fez uma pontuação ruim”, reclama um atleta, que já foi vítima de muitos xingamentos em redes sociais por causa de uma má pontuação no jogo.

“A gente ganha e vem torcedor xingar e te cobrar o motivo de você não ter ido bem no Cartola. Pô, vai comemorar a vitória do time”, desabafou um lateral-direito que não está entre os melhores pontuadores do jogo. “Isso é pior do que ficar recebendo nota de jornal ou site por atuação”, completou. 

Uma vítima das críticas por má pontuação e que virou notícia foi o meia Alejandro Guerra, do Palmeiras. No jogo contra o Atlético-GO, dia 21 de junho, o venezuelano foi um dos melhores em campo, mas teve pontuação negativa no jogo. Em suas redes sociais, sofreu uma enxurrada de xingamentos, pois foi um dos atletas mais escalados naquela rodada.

O zagueiro Tiago, do Bahia, também foi vítima do ódio virtual por uma má atuação no game, mas não deixou barato e xingou o torcedor que o criticou. Esses são alguns dos casos em que atletas tiveram que ler críticas por seu desempenho no Cartola e não na partida.

A divergência entre uma boa atuação e má pontuação se dá pela questão matemática. O jogo usa como parâmetro para pontuação fundamentos do futebol como passes certos, finalizações, roubadas de bola e também por disciplina – faltas cometidas, cartões amarelos e vermelhos.

A maioria dos atletas não gosta da dinâmica do jogo, mas existe quem aprove. Um deles é o lateral-direito Victor Ferraz, que não só joga como gosta de comentar com os companheiros sobre o desempenho deles.

Existem ainda alguns casos curiosos. O atacante João Paulo, do Bahia, saiu do banco de reservas para marcar um dos gols da derrota por 4 a 2 para o Palmeiras e teve uma das maiores pontuações da rodada. Sorte de uma pessoa, que foi a única a escalá-lo.

Já um meia, que pediu para não ser identificado, chegou em casa feliz por ter vencido uma partida complicada e antes de qualquer coisa ouviu do irmão uma reclamação. “Ele falou que eu deveria ter chutado ao gol em vez de cruzar para o meu companheiro fazer o gol, pois assim ele faria mais ponto e ganharia do amigo dele no Cartola. Fiquei muito bravo”, disse o jogador. 

Enquanto quem está no jogo se irrita, alguns sonham estar lá. “Se tudo der certo, ano que vem será nossa vez de ser ‘cornetado’ pelos torcedores”, disse um atleta do Guarani.

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