Fabão tem cara de mau. Mas é um chorão

O duro Fabão, cara de mau, seriedade total em campo e um chorão. Do tipo que se emociona até com propaganda de margarina. E não tem medo de demonstrar seu estilo emotivo em campo. Todos se lembram dos jogos contra o Rosário Central, na Libertadores de 2004, e na final de 2005 contra o Atlético-PR. Foi um prato cheio para as televisões. O negro com fama de violento, chorando feito criança. ?Eu choro mesmo, você não chora? Estes dois jogos foram demais. A gente estava perdendo nos pênaltis, o Rogério fez um e, em seguida, defendeu outro. Aí, ganhamos. Não era para chorar? E contra o Atlético, quando fiz o segundo gol, me deu uma certeza de que a gente ia ser campeão. Aí, chorei de novo, sem dó?. Ele chora, em Tóquio, pela ausência da filha. ?Novinha assim e a gente fica longe. Dá uma saudade muito grande?. Fabão não chora na hora de dividir, de pular, de decidir. ?Durante o jogo, tenho uma atenção enorme. Não dá para se emocionar. Jogo com muita seriedade e tem gente que fala em violência. Não tem nada disso e nem precisa?. Não precisa? Não e Fabão explica o motivo. ?A gente tem de assustar o atacante só no olhar. Tem de olhar no olho, sem piscar, com raiva. Eu tenho até um olhar especial para esses jogos mais duros?. E ele conta como é. ?Tem de fazer igual ao Maníaco do Parque. Um olhar bem estranho que é para o pessoal saber que você não está ali para brincadeira. Zagueiro não pode dar espaço para brincadeira. Tem de dominar a área?. Fabão joga aberto pelo lado direito. Ele tem a missão de cobrir Cicinho, que é uma das armas do 3-5-2. Faz o trabalho bem feito. Fez algumas partidas como lateral-direito em sua passagem frustrada pelo Bétis (Espanha), em 2002. Com a bola dominada, chega a avançar um pouco até o meio do campo e, dali, tenta alguns lançamentos e em diagonal para a muvuca na área. Ou, então, toca para Cicinho na direita, mais avançado. Não é um repertório de craque. Não é um estilo de craque. Não é um craque, mas mesmo assim já sonhou com a seleção. ?Tive a esperança de ser convocado para algum amistoso, mas a chance não veio. Agora, desencanei. Vai ser difícil, tenho 29 anos. Meu negócio é jogar bem o Mundial e tentar ser campeão. Vai ser lindo?. E a comemoração vai ter muito choro, é lógico.

Agencia Estado,

11 de dezembro de 2005 | 09h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.