Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Fábio Carille e união dos jogadores são os trunfos do Corinthians

Aluno fiel de Tite, técnico monta esquema consistente, trata todos os jogadores de maneira igual e leva um time antes desacreditado ao sucesso

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2017 | 07h00

Em seis meses, o Corinthians passou de desacreditado no Campeonato Paulista para um dos favoritos ao título do Brasileiro atingindo marcas que chamam a atenção. O segredo do sucesso não se resume a um fator, mas existem alguns pontos que ajudam a explicar como a equipe está há 19 jogos sem perder, sofreu apenas dois resultados negativos no ano e tem o seu melhor início de Nacional na história dos pontos corridos.

O principal deles atende pelo nome de Fábio Carille. É consenso no clube a importância do treinador, que quebrou paradigmas e surpreendeu muita gente, inclusive dirigentes. Sem experiência no cargo, ele aproveitou os ensinamentos obtidos como auxiliar de Tite e Mano Menezes no clube e conseguiu dar um padrão tático ao time difícil de ser superado.

Ele soube aproveitar o tempo livre. Entre o dia 23 de abril, semifinal do Paulista contra o São Paulo, e o dia 4 de junho, clássico com o Santos pela quarta rodada do Brasileiro, a equipe disputou apenas oito jogos e Carille aproveitou os dias livres para dar “sua cara’’ à equipe, que se caracterizou por vitórias por 1 a 0, mas mudou a rotina nos últimos dois jogos, quando derrotou Vasco e São Paulo marcando oito gols e sofrendo quatro. 

Carille adota a tática do 4-1-4-1 popularizada por Tite, com uma movimentação entre os meias e volantes. Diante do São Paulo, por exemplo, Gabriel apareceu com liberdade na frente e marcou um gol. 

“Cheguei vendo futebol de um jeito e hoje enxergo diferente. Cresci muito com as dicas e os treinos que ele dá. Carille conversa, chama na sala dele para mostrar erros e acertos. Me sinto privilegiado em trabalhar com ele”, disse Gabriel.

O trabalho do treinador conta muito como comportamento dos atletas. O relacionamento entre os jogadores ainda é muito bom e mesmo quem espera por mais oportunidades tem se portado de tal forma que não prejudica o ambiente. 

Para motivar quem está entre os suplentes, Carille faz questão de acompanhar os treinos deles. Dessa maneira detecta possíveis alternativas para percalços que surgem pelo caminho. Uma deles foi apostar em Paulo Roberto na lateral-direita ao não poder contar com Fagner, que está com a seleção brasileira. 

A boa fase em campo faz com que os problemas financeiros do clube fiquem em segundo plano. A premiação pelo título do Paulistão só começou a ser paga aos atletas neste mês. A diretoria fez um acordo com eles para parcelar o débito. 

Além disso, os dirigentes estudam a possibilidade de negociar algum dos principais jogadores, algo que Carille torce para que não aconteça, pois assim terá maior chance de manter a boa fase. “Se puder escolher, prefiro manter o elenco do que ganhar reforço”, avisou o treinador, na última sexta-feira, sem esconder a preocupação. 

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