Fabio Costa reage e ataca Passarella

Fábio Costa entrou sorrindo na sala de imprensa do Parque São Jorge. "Tô famoso, hein", comentou, ao ver tantas câmeras e microfones apontados para ele. Conhecido por seu temperamento explosivo, o goleiro, como centro das atenções, não demorou para começar a disparar sua metralhadora verbal. Bastaram algumas perguntas. O alvo de toda a ira era o técnico Daniel Passarella, que o afastou da equipe por uma suposta deficiência técnica. "Ele pode ter qualquer opinião sobre a minha pessoa, mas não sobre minha qualidade técnica. O Passarella foi um grande zagueiro, talvez o melhor de todos os tempos, mas não foi goleiro, não sabe o que se passa ali embaixo do gol. De goleiro ele não entende nada", disse Fábio Costa. O goleiro não viu motivos para ser modesto na hora de fazer uma autocrítica. Para ele, não houve "frango" nenhum que pudesse justificar seu afastamento. "Tirando aquele jogo contra o Cianorte, não vejo outro em que eu tenha falhado". A irritação era evidente. Campeão brasileiro com o Santos em 2002 e com algumas convocações para as seleções de base no currículo, o goleiro não entendia como poderia ser escorraçado do time corintiano assim, sem uma explicação plausível. "Ele (Passarella) justificou que não tenho o perfil de goleiro para o time dele. Mas se não tenho o perfil hoje, não poderia ter há dois meses e ele não deveria ter me escalado contra o Botafogo", declarou Fábio, explicando seu raciocínio: "Se você trabalha na minha empresa e não está bem, não vou esperar ter prejuízo para te mandar embora". Fábio Costa disse que definiria sua situação ainda nesta segunda à noite, num jantar com Kia Joorabchian, o homem forte da MSI. O goleiro jurou que não foi procurado pelo Santos, mas revelou que um clube europeu o sondou na semana passada. "Eu jogo limpo. Fui procurado por um time da Europa e avisei a diretoria. Mas não quero tomar uma atitude precipitada. Sou funcionário do Corinthians e tenho contrato até dezembro". A preocupação dele é quanto à multa que teria de pagar ao clube em caso de rescisão de contrato. "É o Corinthians que está rompendo. Vou continuar com a minha rotina, vindo trabalhar". Outra coisa que irritou bastante o goleiro foi que a dispensa ocorreu no dia seguinte a uma derrota por três gols para o Botafogo, no Rio de Janeiro. "Do jeito que ficou, parece que eu sou o bode expiatório pela derrota". Fábio disse que, até então, nunca havia tido nenhum problema com Passarella. "Meu relacionamento com ele sempre foi o mais normal possível. Não éramos grandes amigos, mas nos falávamos bem". O goleiro negou que tivesse discutido asperamente com o treinador após o jogo contra o Botafogo, no vestiário. Além do afastamento, duas coisas deixaram Fábio muito irritado: o descontentamento de Passarella ter vazado para a imprensa na semana passada e a forma como foi comunicado da dispensa. "Ele (Passarella) me chamou num canto depois do treino e me comunicou do afastamento. Estávamos só eu, ele e o Alejandro (Sabella, auxiliar-técnico). O Passarella garantiu que só eles dois sabiam, ninguém mais, nem o Kia. Mas, pelo jeito, não era bem isso, né?", cutucou o goleiro. "Conduta não dá para questionar. Cada um tem a sua". Fábio não acha que a dispensa será um ponto negativo em sua carreira. "Não estou preocupado. O que me deixa tranqüilo é que não fui afastado por motivo de briga", disse o goleiro. "Só fico chateado porque sempre tive um comportamento exemplar, principalmente com os mais jovens. E quando o Corinthians mais precisou de mim, ano passado, fui bem e ajudei o time a chegar na quinta colocação do Brasileirão". Fábio Costa encerrou a entrevista coletiva dizendo: "Não guardo rancor ou mágoa de ninguém. Se o treinador achar que eu tenho que voltar, eu volto".

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