Fábio Jr. e Magrão dão volta por cima

Dois jogadores do Palmeiras saíram da Bombonera, ontem à noite, após o empate contra o Boca Juniors, pela Libertadores, com a certeza de dever cumprindo. De personalidades distintas, mas ambos geniosos, Fábio Júnior e Magrão sentiam que eram cercados por desconfiança no Palestra Itália.O atacante Fábio Júnior foi contratado a peso de ouro, empréstimo de US$ 1 milhão, ao Roma, e estava jogando péssimo futebol. Já o volante Magrão demonstrava falta de controle nos momentos decisivos, sendo expulso ou enervando a equipe. Mas a partida contra o Boca promete ser histórica para os dois, que deveriam ser negociados ao final da Libertadores da América. "Eu calei a boca de quem não acreditava que eu poderia me controlar sob pressão. Em vez de pontapés e cotoveladas, dei chapéu, driblei e dei passe para gol. Eu sou um jogador que rendo muito mais com liberdade para atacar. Tenho fôlego para marcar e atacar. E as pessoas precisam acreditar mais no meu controle emocional. Tenho cabeça para jogar em um time grande como o Palmeiras", desabafou Magrão. "Eu também quero confessar uma coisa. Antes da partida, o Celso Roth me chamou para uma conversa séria. Ele me perguntou o que estava acontecendo e porque eu não rendia como nos tempos do Cruzeiro. Fiquei meio sem graça, mas fui sincero. Falei que estava jogando errado. Ou seja: eu não rendo parado no meio dos zagueiros. Eu preciso de liberdade, de jogar aberto, quase como um ponta. Com a bola dominada de frente para o zagueiro eu sou uma coisa. Parado, recebendo de costas para o gol, eu sou outro, muito pior", admitiu Fábio Júnior. Magrão recuperou em Buenos Aires o espaço que estava perdendo no clube. O jogador que foi contratado no ano passado como uma esperança de chegar até à seleção brasileira chegou várias vezes a não ir nem para o banco de reservas com Celso Roth no comando. "Foi um período de transição. Com o Marco Aurélio, eu sabia muito bem o que ele queria de mim. Ele me dava liberdade para jogar. O Roth não me conhecia direito. Então ficava preso aos zagueiros e o meu futebol não é esse. Com três volantes eu me sinto bem demais. Porque posso defender e atacar sem medo do contragolpe. Por isso me dei tão bem com o Marco Aurélio. Mas é uma questão de adaptação. Sinto que estou me soltando. Não vou perder de novo o espaço que já foi meu?, avisou o volante. Com Fábio Júnior, tudo foi ainda pior. Até a partida contra os argentinos, o atacante tinha feito seis gols nos 17 jogos que atuou, os torcedores do Palmeiras já o exigiam fora do time. Embora com menos prestígio, Tuta estava para ganhar a posição quando sofreu uma contratura na coxa esquerda. Uma pequena demonstração de irritação do calado Fábio Júnior foi a briga infantil com Daniel, quando os dois trocaram socos durante um treino na semana passada. "Eu sentia a pressão para que o Tuta fosse titular. Sempre deixei o treinador à vontade para me tirar do time. Não peço para jogar. Só cumpro ordens. Por mais que você esteja preparado, é horrível sentir que a própria torcida do seu time duvida do seu futebol", confidenciou o atacante.Mas a Bombonera teve o efeito milagroso à dupla. "Eu me senti bem demais com toda aquela torcida tentando nos pressionar. Gosto do desafio, da pressão. Quem pensou que o Palmeiras iria jogar com um jogador a menos por minha causa, errou. E olha que fui muito provocado. Tenho certeza que serei encarado de outra forma depois da partida aqui na Argentina", avaliou Fábio Júnior, que não cansava de explicar o seu 7º gol no clube, além do outro que deu para Alex. "Eu sou um jogador muito calmo quando estou diante do goleiro. Recebi excelente passe do Magrão, vi o Córdoba saindo e só toquei para as redes. E no gol do Alex, tentei dominar, mas vi que ele vinha entrando e aparei a bola para ele. São lances que mostram que não perdi a minha presença de área. Não esqueci de jogar futebol." Com a palavra quem decide o destino dos dois no Palmeiras. "O Magrão é um jogador que tem vontade até demais de vencer. Ele tem talento e tenho certeza que será útil demais no jogo de volta no Parque Antártica, contra o Boca. O mesmo se aplica ao Fábio, que voltou a jogar muito bem, se deslocando, abrindo espaço para os companheiros e marcando gol. É só isso que eu sempre quis: que jogassem o que sabem", resumiu Celso Roth. Ou seja, a diretoria do Inter de Porto Alegre pode esquecer Magrão e a diretoria da Roma não terá o pedido de antecipação do fim do empréstimo de Fábio Júnior. As duas negociações estavam programadas para depois da Libertadores.

Agencia Estado,

08 de junho de 2001 | 18h32

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