Fábio Koff não faz mais parte do GTE

O presidente do Clube dos 13, Fabio Koff, anunciou nesta segunda-feira sua saída do GTE (Grupo de Trabalho Especial do Ministério do Esporte e Turismo), criado em abril para atuar como um ´código de defesa dos direitos do torcedor brasileiro´. A informação foi passada por José Luiz Portella Pereira, secretário executivo do Ministério dos Esportes e presidente do GTE, durante uma reunião da entidade, nesta segunda-feira, em São Paulo. Koff alegou que a edição, por parte do presidente Fernando Henrique Cardoso, de uma Medida Provisória com novas regras para clubes e entidades profissionais de futebol, tornou sua ação nula diante do grupo. "Não posso afirmar que o Clube dos 13 está deixando o GTE, mas eu estou, já que a partir desta segunda-feira, de acordo com a Medida Provisória, os clubes transformam-se em empresas ou terão de ser administrados por sociedades comerciais." A MP anunciada planeja tornar as contas do futebol brasileiro mais transparentes. Estabelece aos clubes a obrigatoriedade da elaboração e publicação de seus balanços para análise de auditores independentes. Os clubes que não se enquadrarem não terão acesso a benefícios públicos. Os dirigentes passarão a ser investigados quando houver suspeita de administração fraudulenta. "Não sou contra a Medida Provisória, mas os clubes necessitam de pelo menos um ano para se adequar ao texto", diz Koff. O presidente do Clube dos 13 anunciou que nos próximos dias uma reunião será marcada para discutir a alteração dos estatutos da entidade. "A própria Liga nacional dos clubes, criada recentemente, foi para o espaço." Por outro lado, Koff negou que o estatuto da Liga tornasse obrigatória a transformação de clubes em empresas. "Essa era uma questão opcional. Prevíamos apenas a apresentação de balanços anuais e o controle dos gastos." O Grupo de Trabalho Especial do Ministério do Esporte e Turismo reúne representantes de vários segmentos ligados ao esporte, como o presidente da CBF, Ricardo Teixeira; o treinador do Corinthians, Carlos Alberto Parreira; os ex-jogadores Raí e Reinaldo; o presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, e o senador Geraldo Althoff, relator da CPI do Futebol no Senado. Portella, o presidente da entidade, também acredita que os clubes necessitam de tempo para se transformarem em sociedades comerciais. "O nosso planejamento não será alterado com a saída do Koff. Vamos continuar tratando dos direitos do torcedor e tenho certeza que muitos clubes vão continuar com a gente." Para ele, a edição da Medida Provisória vai ajudar a combater a corrupção nos clubes. "O fato de os maus dirigentes correrem o risco de ter seus bens indisponíveis obrigará vários deles se afastar do futebol." O presidente do GTE afirma que a desorganização do futebol brasileiro e o desrespeito ao torcedor representaram a perda de pelo menos R$ 100 milhões em investimentos nos últimos anos. "O futebol é uma atividade comercial e deve ser regida pelos códigos comerciais." Na próxima segunda-feira o grupo votará a criação da Agência Nacional de Esportes, voltada para regulamentar a relação entre os interesses públicos e privados no esporte, sem a interferência governamental. "A agência vai regular as atividades esportivas que apresentem rendimentos, sempre zelando pelos interesse dos torcedores."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.