Fábio Luciano realiza um sonho

Das certezas que Fábio Luciano tinha quando voltou ao Corinthians no primeiro semestre de 2002 ? depois de ser dispensado por Vanderlei Luxemburgo na metade do ano anterior ?, uma se confirmou no sábado. O zagueiro ergueu a taça de campeão paulista como capitão do time, um privilégio para poucos. Nem tanto pelo título, que teria o mesmo significado se o capitão fosse outro, mas pela forma como ele foi escolhido para o posto: pelo voto direto dos companheiros. ?Sem qualquer tipo de vaidade, é uma honra ser o capitão de um grupo como o do Corinthians, onde há vários jogadores capacitados para isso?, diz Fábio Luciano. ?E eu fico ainda mais feliz por ter sido escolhido democraticamente, pelo voto dos companheiros.? Fábio Luciano é o capitão desde o jogo contra o Paysandu, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro de 2002. Os colegas de time entenderam que ele tinha o perfil ideal para herdar a tarja de capitão que era de Ricardinho: é articulado, bem visto pelo grupo, um aglutinador. Além disso, ao lado de Vampeta, é um dos jogadores com maior bagagem de Corinthians ? remanescente do time campeão mundial de clubes em 2000. ?Um grande amigo e um excelente caráter?, atesta o lateral Rogério. Fábio Luciano está construindo uma história de sucesso no clube. Depois de uma rápida passagem pelo Inter de Porto Alegre, onde conheceu Carlos Alberto Parreira, ganhou maturidade na volta. O conflito com Luxemburgo lhe rendeu experiência para assumir o posto de líder. ?A passagem pelo Inter me ajudou muito. Lá eu conheci o Parreira e com ele aprendi os caminhos para crescer como profissional, dentro e fora de campo.? Parreira lapidou Fábio Luciano. Mudou sua colocação como zagueiro, emprestou-lhe livros, fitas de vídeo dos principais times europeus e dos jogos importantes de Copas do Mundo. ?Aprendi a marcar melhor, aperfeiçoei a minha colocação. Também fiquei mais forte emocionalmente.? Os dois voltaram a se encontrar no Corinthians em 2002. Fábio virou titular absoluto no time de Parreira. Disputou três finais no ano: perdeu o Campeonato Brasileiro para o Santos, já como capitão, mas antes disso conquistou o Rio-São Paulo e a Copa do Brasil, classificando a equipe para a Libertadores. Na campanha vitoriosa no Campeonato Paulista, Fábio Luciano foi uma peça importante. Já sob o comando de Geninho, virou o ?xerife? na área. Por ser o zagueiro mais experiente, é dele a voz de comando na defesa. ?Procuro cobrar os companheiros sem xingar, sem perder o respeito. Costumo falar só na hora certa. E também fico feliz quando alguém me corrige. Um grupo só é forte quando os jogadores se gostam e se respeitam.? Depois de conquistar mais um título em cima do São Paulo, os planos do capitão apontam para a Libertadores. Esse é o sonho, maior até mesmo do que uma eventual volta à Seleção Brasileira do amigo Carlos Alberto Parreira. ?Não é porque o Parreira trabalhou comigo no Inter e aqui no Corinthians que ele tem a obrigação de me convocar. A seleção vai ser uma conseqüência natural do que eu fizer no clube. Também por isso, ganhar a Libertadores é o desafio maior no momento.? A comemoração do título foi simples, ao lado da família, em Vinhedo. Fábio Luciano e a mulher Viviane, grávida de seis meses, foram à igreja agradecer pelo bom momento. Quanto ao futuro, os planos de Fábio Luciano não são diferentes da maioria dos jogadores que chegam aos 27 anos: jogar na Europa, fazer a independência financeira, disputar uma Copa do Mundo. No entanto, trata a questão com realismo. ?Se você me perguntar, vou dizer aqueles coisas que todo jogador diz. Se for um bom negócio para o clube e para mim, etc. etc...? Em seguida, o capitão complementa. ?Melhor valorizar onde eu estou. Gosto do Corinthians, me sinto bem aqui. Gostaria de acertar a minha permanência antes de vencer o meu contrato, em dezembro.?

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