Falcão, astro do River, diz que Colômbia tem boas chances

‘El Tigre’ está convencido de que seu país poderá começar as Eliminatórias da Copa 2010 com o pé direito

Robson Morelli, Jornal da Tarde

11 de outubro de 2007 | 22h02

Ele é colombiano, mas joga no River Plate e assumiu para si a rivalidade de argentinos e brasileiros. É com espírito portenho, sobretudo, que Radamel Falcão Garcia entrará em campo contra a seleção de Dunga no domingo. ‘El Tigre’, apelido que ganhou ainda nas categorias de base, está convencido de que a Colômbia poderá começar as Eliminatórias com o pé direito. "Sim, a Colômbia pode derrotar o Brasil na estréia das Eliminatórias. Todos têm suas fraquezas", comentou o atacante, demonstrando confiança no bom resultado em casa. Garcia é conhecido no Brasil, principalmente no Rio. Foram dele três dos gols que eliminaram o Botafogo da Copa Sul-Americana na derrota para o River Plate. Os botafoguenses não se esquecerão tão cedo desse jogador. Foi ele quem causou a demissão do técnico Cuca - de volta ao cargo após três rodadas no Brasileiro. Os gols daquela partida fizeram de ‘El Tigre’ um herói em Nuñez e atacante certo na Colômbia do técnico Jorge Luiz Pinto. Sua confiança, porém, tem tamanho. Ele reconhece a força do Brasil e o talento de jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Kaká, embora não se ajoelhe diante deles. "Digo que estou no melhor momento de minha carreira e quero muito jogar esta partida. Nunca havia feito três gols numa mesma partida como fiz diante do Botafogo. Jogo com alegria e muita confiança." Falcão, atleta de Cristo, faz parte do renovado elenco colombiano do técnico Jorge Luiz Pinto. Como Dunga no Brasil, Pinto assumiu a seleção colombiana para colocar em marcha uma reformulação no time e em sua proposta de jogar. Começou na Copa América da Venezuela, em julho. Afastou atletas desgastados e sem mais interesse em defender as cores do País, como o zagueiro Córdoba, da Inter de Milão. Recrutou jovens promessas espalhados pelo mundo, muitos deles atuando na Europa, e meninos que disputam o atual Torneio Nacional. Pretende mesclar o tradicional toque de bola colombiano com jogadas mais agudas e velozes. Tem conquistado o apoio dos torcedores. "Era mesmo preciso uma mudança de mentalidade para que a Seleção voltasse a vencer, a dar alegria a seu povo. Jorge Pinto é um treinador que sabe trabalhar, tem idéias claras do futebol, é jovem e admira o futebol moderno, que se pratica hoje em dia", disse Falcão Garcia. "É claro que o torcedor colombiano precisa ter um pouco de calma com um trabalho que só está começando." Filho de um zagueiro central que jogou no Santa Fé, Junior e Unión Magdalena nos anos 80, ‘El Tigre’, de 21 anos, ganhou o nome Falcão em homenagem do pai ao volante brasileiro do Inter e da Seleção Brasileira nas Copas de 1982 e 1986, Paulo Roberto Falcão, hoje comentarista da Rede Globo. "Meu pai tinha muita admiração pelo futebol brasileiro e por Falcão. Ele quase chegou a jogar no Brasil", comentou o atleta. Para ganhar do Brasil no El Campín, domingo, Falcão Garcia mostra o caminho das pedras: os contragolpes. Para ele, o time de Dunga ataca bastante e com muitos jogadores, mas permite espaços vazios no campo. "Temos de ser inteligentes para superá-los e golpear na hora certa", ensinou. Sem citar a Colômbia, o atacante apontou cinco favoritos para as quatro vagas em disputa nas Eliminatórias que só estão começando: Brasil, Argentina, Paraguai, Venezuela e Chile. Falcão Garcia sempre admirou o trabalho de Faustino Asprilla, outro velho conhecido do torcedor brasileiro. Asprilla defendeu o Palmeiras durante a gestão da Parmalat. Para seu técnico no River Plate, Daniel Passarella, porém, o atacante mais se parece com o holandês Marco Van Basten. Passarella fez a comparação recentemente. Exagero? Claro que sim. Mas é com essa fama que ‘El Tigre’ enfrenta o Brasil diante do seu povo no domingo.

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