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Após 3 anos afastado, Falcão é apresentado como técnico do Sport

Treinador pede garra, empenho e determinação do elenco

ANDERSON BANDEIRA , Especial para O Estado

22 de setembro de 2015 | 14h57

Buscando respirar na reta final do Campeonato Brasileiro e dar uma boa largada na Copa Sul-Americana, o Sport Clube do Recife apresentou, nesta terça-feira (22), o novo treinador Paulo Roberto Falcão. Após quase três anos afastado dos gramados, Falcão chega ao Leão pernambucano com o grande desafio de tirar o time do incômodo 11º lugar deixado pelo antecessor Eduardo Baptista.

Na sua primeira coletiva de imprensa, o treinador reconheceu o potencial do grupo, avaliando que o Sport nos últimos jogos foi desfavorecido pelas circunstâncias apesar de apresentar um bom futebol. No entanto, cobrou mais empenho, dedicação e garra nesta reta final. "Isso eu não aceito. Com garra, no mínimo, tem que empatar". Ele falou também sobre a desconfiança da torcida em relação ao seu nome e a estratégia que adotará para a equipe vencer fora de casa, que tem sido o maior calo do time nordestino.

PRONUNCIAMENTO

"Estou muito feliz em receber o convite, me sinto lisonjeado por ter sido convidado para tentar ajudar o Sport a conseguir resultados. Na verdade, são conversas que tivemos desde o início do ano passado, mas por compromissos que eu já havia assumido eu não pude assumir. Mas de lá para cá venho acompanhando o Sport de perto. Conheço a história do Sport, a garra que ele tem historicamente.

Penso que a qualidade está acima, mas a transpiração tem que andar ao lado e o comprometimento é fundamental. A gente pode perder porque o adversário jogou melhor, mas não porque eles tiveram mais disposição. Vou contar e preciso contar com a colaboração dos jogadores. Conheço todos ou pelo menos todos de ver jogar. Preciso muito desse grupo, que já apresentou qualidade, embora tenhamos nesses últimos jogos algumas dificuldades. Mas quem demonstrou no inicio condições de grandes resultados, certamente pode voltar agora a ter grandes resultados. Pelo menos esse é o meu desejo."

VENCER COMO VISITANTE

"Essa tem sido a dificuldade do Sport, de ganhar fora de casa. Eu não faço muita diferença sobre jogar fora ou dentro. Talvez a diferença seja a força do torcedor em casa que ajuda bastante, mas não muda a regra, não muda o estilo de jogo. É uma questão de acreditar que dá para fazer fora, dá para se fazer em casa. E num campeonato de três pontos, um empate nem sempre é um mal resultado. Às vezes é melhor tentar arriscar uma vitória."

AFASTAMENTO

"Foi uma posição minha. Eu tive alguns convites, mas nenhum que tenha me motivado, que tenha me dado condições de um planejamento. Os convites foram feitos, mas não me satisfizeram. Gosto de ter velocidade, mas gosto de ter pressa. Eu nunca tive pressa para isso. Aproveitei para conversar com outros profissionais do mundo da bola que eu respeito. Acho que essa decisão de ter demorado para voltar foi por isso. De buscar me preparar melhor. A convicção que o Sport me dará condições para voltar a situação que deseja. Isso me deu motivação. Agora que eu tive essa motivação, estou preparado. É um projeto interessante, um clube que te dá condições e que aposta na base. Tudo isso fez com que eu aceitasse. Não é pequeno, mas também não assusta."

META 2015

"A minha preocupação hoje é me adaptar rapidamente às coisas do Sport. As coisas foram definidas de maneira muito rápida. Mas o foco é Sul-Americana. Não quero falar de brasileiro. Tem que focar no jogo de amanhã. Depois sim pensar na Chapecoense. Temos que pensar jogo a jogo."

ESQUEMA TÁTICO

"As vezes que eu vi o Sport jogar com duas linhas de quatro, com algumas variações. Eu fico muito a vontade de falar das duas linhas de quatro, porque quando eu assumi a seleção brasileira em 1990 eu tentei fazer isso. Treinando o Internacional e o América do México eu também usei essas duas linhas de quatro. É isso que eu tentei usar desde que comecei a carreira de treinador. Eu sempre gostei desse esquema porque protege bem o sistema defensivo. Às vezes, evidentemente, tem o descompasso de atacar. Então, no primeiro momento, jogando amanhã, fica difícil mexer muito. Mas evidentemente se eu entender que tenho que mexer, isso eu vou fazer."

MOTIVAÇÃO PARA ASSUMIR O SPORT

"Os convites que eu tive, sempre de altíssimo nível, as coisas não se concretizaram num todo. Quando eu falo num todo é planejamento, qualidade de time, força de torcidas, objetivos. Isso tem que fechar para que as coisas possam acontecer. Nas propostas que eu tive, não me sentia em condições de dar a minha contribuição. As coisas não fechavam na minha cabeça, por isso não aceitei. No Sport, não, enxerguei tudo isso. Senti a adrenalina e a motivação para mergulhar num projeto."

 

CRÍTICAS DA TORCIDA

"Eu aprendi, e isso faz parte da democracia, a respeitar as opiniões. Muitas vezes descordando, mas sempre defendo que as pessoas possam opinar. Eu sempre tive o cuidado de estudar e saber o que os treinadores estavam pensando. Eu me preparei para ser treinador e tenho muita motivação. Um amigo brincou que vocês iam me perguntar o motivo pelo qual estou há três anos sem treinar ninguém. Mas, a resposta que ele sugeriu foi: 'Tem tanto treinador que não sai do mercado e vive sendo demitido. O que é pior?'. Realmente, eu não sou de responder a ele, mas não me incomoda a desconfiança. Respeito o pensamento de todas as opiniões contrárias a minha."

BASE

"Não tem como você não tem um cuidado com a base. É fundamental fortalecer a base, mas é fundamental saber o momento de lançar o garoto. Tem que ter um veterano no time de cima para tranqüilizar os mais novos. E meu pensamento é muito parecido com o do presidente (do Sport, Marcelo) Martorelli. Vamos olhar com muita atenção, com certeza. 

ELENCO

"Fazer uma análise do time do Sport não seria aconselhável publicamente, mas é um grupo bom e que pode render muito mais do que vem rendendo. E isso é nosso objetivo. Eu gosto muito de um time com qualidade, e temos isso, mas é importante ter também empenho."

COBRANÇA

"Ninguém entra em campo para perder. Todo mundo vai para ganhar, mas as vezes isso não acontece. Agora não pode faltar é empenho, dedicação, garra. Isso eu não aceito. Com garra, no minimo, tem que empatar."

FALCÃO X FALCÃO

"Você não espere me ver gritando e gesticulando de forma veemente. Não posso deixar a emoção do torcedor tomar conta de mim naquele momento. Eu não tenho uma receita. Se tiver que puxar a orelha farei, mas não é algo que procuro fazer. Acho que o jogador tem respeitar todos os profissionais que estão envolvidos no trabalho."


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