Falcão garante: fiz a troca certa

O São Paulo está vencendo e o jogo se aproxima do final. Invariavelmente, comentaristas esportivos dizem a frase: "O jogo está fácil, é hora de colocar Falcão para que ele dê um show." Nada - nem a falta de oportunidades - irrita mais o jogador do que essa fala. Aos amigos, diz que não é um mico de circo, alguém que entra em campo para fazer malabarismos para agradar os que foram ao estádio. Se fosse para ficar driblando apenas, teria ficado o futsal, onde é reconhecido, diz Falcão.Se não quer ser um mico no sentido de jogador apenas malabarista, Falcão muito menos aceita o rótulo de "mico" como sinônimo de negócio ruim. Deixar de ser o melhor jogador de futsal do mundo para tornar-se a última opção do elenco do São Paulo não assusta Falcão. Ele acredita ter feito a coisa certa quando trocou as quadras pelos gramados.Para provar que pode dar certo, tem treinado com muita dedicação. Corre muito, se esforça, tenta fazer tudo certo. Comemorou com amigos o fato de haver marcado gols com o pé direito, esquerdo e também de cabeça em um treino de finalização na semana passada.Leão teve uma conversa particular com Falcão na última semanas anterior. Disse que estava contente com seu comprometimento com o trabalho e com seu esforço. Mas continua sem escalá-lo. O técnico não esconde que o considera alguém em busca de conhecimento, um "aprendiz". O fato de ser procurado constantemente por jornalistas para falar sobre curva inclinada no clube - deixou de entrar nos jogos, passou a não ficar no banco e agora poucas vezes faz parte da relação dos jogadores que se concentram - incomoda mais a Falcão do que não estar jogando.Mais uma chance - Ele não quer aparecer. Deseja diminuir ao máximo as entrevistas. "Meu desejo é treinar muito para que esteja pronto quando tiver a minha chance", disse a amigos. Está contente com a possibilidade de seu contrato, que termina em 1º de julho, ser prorrogado por mais seis meses. O São Paulo mostra-se inclinado a isso. "O caminho é esse. Temos de ter calma com o Falcão. Há jogadores que vêm de outros Estados e demoram a adaptar-se. Imagine então alguém que vem de um outro esporte", diz Juvenal Juvêncio, diretor de futebol profissional.Na semana passada, houve um primeiro contato entre um diretor e Falcão. Perguntado se gostaria de continuar no clube depois do final do contrato, Falcão abriu um grande sorriso e disse que aceitaria na hora. Falcão sempre preferiu o futebol ao futsal. Não se dedicou antes com tanta ênfase porque ganhava muito mais nas quadras. Aos 16 anos, como jogador do Banespa, ganhava R$ 3 mil. Recusou um convite para as categorias de base do Corinthians, onde ganharia R$ 200 mensais. Agora, que recebe salários equivalentes, fez uma opção radical pelo futebol. E até o final do ano espera ter bons resultados.

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