Ap Photo/ Associated Press/Estadão
Ap Photo/ Associated Press/Estadão

Falta apurar o local de embarque do peso extra e do que ele é composto

Eventual volume não está identificado, e nada de estranho apareceu nas buscas no local da queda

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

27 de dezembro de 2016 | 07h00

A carga sumiu: o RJ-85 transportava pouco menos de meia tonelada acima do peso máximo recomendado pelo fabricante, segundo a conclusão preliminar da Aeronáutica Civil da Colômbia. É possível. Mas falta apurar onde foi embarcado e o que compunha esse material. O eventual volume não está identificado, e nada de estranho apareceu nas buscas no local da queda. O relatório apresentado pelo comissário Freddy Bonilha não cita o obrigatório manifesto, uma espécie de nota fiscal, listando o transporte. Dois especialistas brasileiros ouvidos pelo Estado destacaram que os cerca de 500 quilos de excesso não seriam, isoladamente, uma determinante da queda do jato britânico de curto alcance. Também concordaram em que os 77 ocupantes do avião, mais suas bagagens pessoais não poderiam comprometer a balança do voo da LaMia, de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, até Rionegro, em Medellín, na Colômbia.

Mais significativa é a constatação de que a aeronave teve um plano de voo de risco inaceitável aprovado pelo sistema de controle boliviano, que autorizou a decolagem sem reserva de segurança nos tanques – a autonomia do RJ-85 é de 3 mil km, a rota a ser cumprida era de cerca de 2,85 mil km – e a consideração das alternativas pela tripulação em Cobija (sem infraestrutura adequada) ou em Letícia, mais distante, que exigiria custo adicional elevado.

O grupo técnico colombiano considera que os indicadores são os de que a aeronave estava em boas condições e não sofreu pane – os sistemas hidráulicos e elétricos falharam quando os quatro motores foram sendo gradualmente desligados, reduzindo, até o colapso final, a fonte de energia de bordo, impedindo a ação dos pilotos. 

O documento final da perícia pode demorar ainda um ano para ser concluído. A fase atual é do levantamento dos dados dos registradores da cabine, as caixas pretas, estudo das principais estruturas e da remontagem do RJ-85, em um hangar, a partir dos fragmentos coletados no local da queda. Um imenso quebra cabeça.

Tudo o que sabemos sobre:
ChapecoenseAcidente AéreoFutebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.