Victor R. Caivano/AP
Victor R. Caivano/AP

'Falta de gol' para Sampaoli, calvário da Argentina merece críticas até de Gareca

Empate contra o Peru em plena Bombonera complicou time da casa na briga por vaga na Copa da Rússia

Rodrigo Luiz, especial para O Estado

06 Outubro 2017 | 07h00

Ainda que continue dependendo apenas de seus próprios esforços para garantir vaga na Copa do Mundo da Rússia, a seleção da Argentina vive um calvário sem precedentes após o empate contra o Peru em casa nesta quinta-feira. A estratégia de levar a decisiva partida pela 17ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para o estádio La Bombonera, do Boca Juniors, não surtiu efeito e o time ficou no empate por 0 a 0 - podia ainda ter levado gol no último lance da partida, em bela cobrança de falta de Paolo Guerrero, que tinha endereço, mas foi espalmada pelo goleiro Romero.

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Com o inesperado empate em casa, a Argentina só conseguirá classificação para a Copa da Rússia em caso de vitória sobre o Equador na casa do adversário. A equipe está na sexta colocação com 25 pontos, os mesmos do Peru, que é quinto pelos critérios de desempate. A rodada ainda ressuscitou o Paraguai, que venceu a Colômbia fora de casa e chegou aos 24 pontos, decidindo em casa contra a lanterna Venezuela.

Apesar de quase desesperadora, a situação dos argentinos não é a pior possível. Como Peru recebe a Colômbia (26 pontos, em quarto), uma vitória sobre o Equador leva o time de Jorge Sampaoli a 28 pontos - um empate no jogo em solo peruano deixa os dois com 26 e 27 pontos, respectivamente.

FALTOU SÓ O GOL?

Se a Argentina não conseguiu tirar o zero do placar e pouco produziu no empate com o Peru, para o técnico Jorge Sampaoli, no entanto, a superioridade da sua equipe foi ampla.  Em sua opinião, a Argentina demonstrou um bom futebol e, para a vitória, "faltou apenas o gol".

"Eu tenho uma grande ilusão que está representada pelos jogadores em campo. Acho que tivemos um bom desempenho e só nos faltou o gol. A Argentina foi muito superior ao Peru. Se jogarmos como hoje, iremos nos classificar para a Copa", afirmou o treinador.

"Jogamos toda a partida dentro da área do adversário. Isso nos faz pensar que temos uma ideia e uma identidade que vai nos aproximar da classificação. A situação não é cômoda, mas a classificação segue dependendo apenas de nós mesmos", explicou.

Sampaoli, no entanto, não deverá contar com um de seus volantes titulares. Fernando Gago, que jogava no estádio de sua equipe atual, entrou no segundo tempo e foi substituído logo aos seis minutos de jogo após romper o ligamento do joelho direito. Outro jogador da posição que entraria na vaga, Javier Mascherano, do Barcelona, se queixou de um desconforto muscular na parte posterior da coxa ao final da partida e deverá ser avaliado pelo departamento médico.

O time que luta para evitar um vexame - a Argentina ficou fora de uma Copa pela última vez em 1970 - ainda não conta com o atacante Sergio Aguero, que na semana passada sofreu um acidente de carro e fraturou duas costelas quando voltava de um show na Holanda. Sobra mais uma vez para Lionel Messi a responsabilidade de comandar a sua seleção, desta vez diante do Equador.

ATÉ GARECA CRITICA ESCOLHAS DA ARGENTINA

Observando "à distância" a situação da seleção da Argentina, o técnico do Peru, Ricardo Gareca, não conteve as críticas após o resultado que manteve a sua seleção com chances de classificação à Copa. Para ele, a fase da seleção de seu país é fruto do momento fora de campo, com seguidas mudanças de técnicos - passaram pelo cargo Edgardo Bauza e Tata Martino ainda nesta edição das Eliminatórias, e Alejandro Sabella, até a Copa de 2014.

"É improvável que dê certo (com as trocas de técnicos). É algo que não se deu em anos anteriores, em muito tempo. Essa situação não dá espaço para que os técnicos e jogadores possam projetar algo", analisou. "É uma situação que pode complicar qualquer seleção, não só a Argentina".

Técnico responsável por manter o Peru com chances de classificação à Copa, ele minimizou a escolha do estádio do Boca Juniors como palco da última partida em casa pelas Eliminatórias. Para ele, a tentativa de criar um "caldeirão" semelhante ao do time argentino foi e provavelmente sempre será frustrada.

"O estádio do Boca é para o Boca", bradou. "O Boca também perdeu campeonatos jogando aqui. Esse campo tem questões particulares que são de conhecimento público. Mas o argentino é passional e canta em qualquer estádio. Não tem nada a ver com o que acontece no campo de jogo", avaliou.

ENCERRAMENTO COM EMOÇÃO

A última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo da Rússia será na próxima terça-feira com cinco jogos, e todos oferecem alguma disputa para um dos envolvidos. Até o jogo do Brasil, já classificado há algumas rodadas, ficou importante - o time pega o Chile (terceiro, com 26 pontos) na Arena Palmeiras.

O jogo mais "tranquilo" da 18ª rodada da competição é o do Uruguai, que recebe a eliminada Bolívia já estando garantido pelo menos na repescagem - é o vice-líder, com 28 pontos.

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