Falta de gols faz Blatter pensar em mexer nas regras

Preocupado com a falta de gols na Copa do Mundo, que tem a segunda média mais baixa de todos os tempos (e ainda pode superá-la), o presidente da Fifa, Joseph Blatter, admite que uma das soluções pode ser mexer nas regras do jogo. Entre as possíveis mudanças estão alterações na lei do impedimento e o aumento do gol, que hoje mede 7,32 metros de largura por 2,44 metros de altura."O futebol não tem sido ruim, mas não há gols suficientes, e quando há poucos gols o público não mostra entusiasmo, porque a essência do jogo são os gols", disse Blatter à agência alemã DPA. A Copa da Alemanha teve até agora uma média de 2,27 gols por partida, com 141 gols em 62 jogos. A pior de todas foi em 1990, quando foram marcados 115 gols em 52 jogos (2,21 por partida). A marca do segundo Mundial da Itália pode ser igualada se for marcado apenas um gol nos dois jogos restantes - a decisão do terceiro lugar entre Alemanha e Portugal, no sábado, e a final entre Itália e França, no domingo. Com um gol, a média seria igual à de 1990."Teremos um longo encontro com os treinadores das 32 equipes do Mundial, que contará ainda com árbitros, médicos e o Grupo de Estudo Técnico da Fifa para ouvir o que têm a dizer para que o futebol seja ainda mais atrativo para o público", comentou Blatter, que já descartou uma das idéias para aumentar o número de gols: a retirada de um jogador de cada equipe - os times passariam a ter dez jogadores.A falta de gols também foi citada por Franz Beckenbauer, ex-jogador e ex-técnico e presidente do Comitê Organizador da Copa. Ele citou o treinador do primeiro título da Alemanha, em 1954, Sepp Herberger, para dizer que os jogadores atuais arriscam poucas finalizações. "Há mais de 50 anos ele disse que, se ninguém chutar a gol, o jogo termina empatado. A bola é uma arma que deve ser utilizada", afirmou.RankingBlatter anunciou que pelo menos uma coisa muda depois da Copa: o ranking da Fifa, criticado por suas eventuais distorções - a República Checa, segunda colocada, e os Estados Unidos, quarto, caíram na primeira fase do Mundial. A partir de agora, valerão os resultados os último quatro anos, e não dos oito anos, como antes. Além disso, os placar mais recentes terão maior valor na média ponderada.Também serão abolidos dois critérios: a diferença de gols na partida (antes uma vitória por 4 a 0 valia mais que um placar de 1 a 0) e a condição de jogar em casa ou fora. "É muito difícil conciliar todos os interesses, mas acreditamos que o novo ranking vai refletir melhor a força de cada seleção", explicou o dirigente,A lista foi criada pela Fifa em 1993, e, segundo especialistas, deve continuar com o Brasil no topo, apesar da eliminação nas quartas-de-final da Copa. O novo ranking será divulgado na próxima quarta-feira, três dias após a final do Mundial.

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