ALEX SILVA | ESTADAO CONTEUDO
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Falta de moradia tirou Gabriel Jesus de rival do Palmeiras

Revelação só não ficou no São Paulo porque não tinha lugar no alojamento no CT da base do tricolor, que fica em Cotia

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2016 | 19h00

Quem vê Gabriel Jesus fazendo gols e sendo cantado em verso e prosa pela torcida do Palmeiras não imagina que por um motivo banal, hoje ele não é um dos destaques do rival São Paulo. A falta de um alojamento evitou que o garoto iniciasse a carreira no adversário deste domingo.

O fato aconteceu em 2010, quando Gabriel Jesus passou por testes em Cotia, local de treinamento da base do São Paulo. O garoto, então com 12 anos, foi aprovado em uma peneira e daria início a sua trajetória no clube, quando recebeu uma notícia que não lhe agradou.

"Eu fui aprovado, me falaram que gostaram muito do meu futebol e queria que eu ficasse, mas me avisaram que não ia ter alojamento para ficar, já que todos estavam ocupados", contou, em entrevista exclusiva ao Estado, o atacante de 18 anos.

Então, veio o dilema. Gabriel morava no Jardim Peri, Zona Norte de São Paulo. Para jogar no São Paulo e sem alojamento, teria que todos os dias encarar cerca de 45 km de estrada. Como faria o trajeto de transporte público, levaria cerca de quatro horas para sair de casa e chegar ao CT são-paulino.

"Eu teria que largar a escola, pois não daria tempo de estudar e treinar. Então, minha mãe não deixou e também achei melhor não abandonar a escola", disse o atacante.

Parecia ser o fim de um sonho. Um jovem de apenas 12 anos abrir mão de jogar no São Paulo, que era considerado exemplo de trabalho na categoria de base, parecia uma loucura. Dois anos depois, o que parecia ser impossível aconteceu e ele teve mais uma chance em um time grande.

Em 2012, após ser artilheiro da Copa São Paulo Sub-15 pelo Anhanguera, time criado por seu empresário para revelar jogadores, surgiu a oportunidade de fazer testes no Palmeiras. Ele passou e desta vez não deixou a oportunidade escapar.

VALEU A PENA

Olhando para trás, Gabriel Jesus, palmeirense desde o nascimento, comemora o que poderia ter sido um trauma. "Na hora, parecia que era algo ruim, mas depois veio a felicidade, pois eu consegui ir para o Palmeiras e sou muito feliz aqui", contou.

Curiosamente, quatro anos depois, o São Paulo tentou tirá-lo do Palmeiras. Enquanto negociava a renovação de contrato para ser promovido ao time profissional, o garoto recebeu propostas de diversos clubes, entre eles, o rival tricolor, que ofereceu um salário até maior do que ele recebe atualmente.

Após nove meses de negociação, seus agentes entraram em acordo com a diretoria e o atacante renovou o vínculo por cinco temporadas. Sua multa contratual passou de R$ 3 milhões para 30 milhões de euros (R$ 121,4 milhões) caso algum time do exterior queira levá-lo.

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Rodrigo Caio vira exemplo de formação de atletas do São Paulo

Zagueiro de 22 anos supera etapas na base e se firma no clube

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2016 | 19h00

Rodrigo Caio tinha apenas 12 anos quando chegou ao São Paulo. O garoto morava no alojamento das categorias da base, em Cotia, e pela televisão viu o time em campo na final do Mundial de Clubes, no Japão. O ano era 2005 e um dos zagueiros titulares na vitória sobre o Liverpool, Lugano, é hoje companheiro dele de elenco e até concorrente por vaga no time.

A trajetória vitoriosa do zagueiro que trocou Dracena, no interior de São Paulo, para se dedicar ao clube é um dos principais casos de sucesso que a diretoria utiliza para valorizar o trabalho de formação de atletas. Rodrigo Caio chegou à Cotia no mesmo ano da inauguração, há 11 anos, e agora, aos 22, defende também a seleção brasileira olímpica.

A posição atual na carreira é resultado de etapas vencidas com precisão. A primeira delas foi a chegada ao São Paulo. Rodrigo Caio se destacava no futebol da sua cidade e recebeu convites para ingressar as categorias de base de dois clubes. O Santos demonstrou interesse, mas foi o time do Morumbi quem demonstrou as melhores condições para contar com o defensor.

O começo da carreira como volante na base apresentou dificuldades. A distância da família foi a primeira, seguida por uma cirurgia no joelho direito aos 15 anos. O clube apostou nele e viu o jogador se desenvolver com a participação em campanhas vitoriosas nos times inferiores, até culminar com a conquista da Copa São Paulo, em 2010.

No ano seguinte o defensor ganhou a promoção ao elenco profissional e logo fez sua estreia. Desde então, disputou 164 jogos e marcou oito gols pelo clube. A diretoria aposta na capacidade de conseguir vender Rodrigo Caio por um bom valor e compensar, assim, o investimento feito ao longo do tempo.

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