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Falta de oportunidade faz brasileiro defender a seleção do Timor Leste

Paulo Martins faz carreira longe do Brasil e vira ídolo na Ásia

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2016 | 17h00

Poucos torcedores sabem quem é Paulo Martins, mas ele é zagueiro de seleção. Não da brasileira, mas a do Timor Leste. O que faz um brasileiro jogar na 170ª seleção do ranking mundial? A falta de oportunidade em sua terra natal.

O jogador de 24 anos é daqueles casos de atletas que deixam o Brasil muito jovens, em busca de oportunidades no exterior. Após decepções no São Caetano, Fabril-MG, Poções-BA, Serrano-RJ e Coimbra-MG, resolveu se aventurar na China e tudo mudou em 2013, quando recebeu convite de um empresário para se naturalizar timorense. 

Junto com ele, outros sete brasileiros defendem a seleção asiática, que luta para conseguir o direito de disputar a Copa da Ásia. “Claro que quero atuar no Brasil, perto da minha família, e ser reconhecido no meu país, mas falta oportunidade. Quem sabe um dia poder enfrentar o Brasil? Seria uma experiência inesquecível”, contou o zagueiro.

O Timor Leste viveu uma grave crise política, com guerra civil e atentados contra governantes nos últimos anos, mas tem tentado se reerguer e usa o futebol para fazer com que seus habitantes tenham com o que sorrir. “É um país muito pobre, mas os torcedores são fanáticos e lotam o estádio. A torcida grita o nosso nome e quando eu não posso jogar, mandam mensagem e mostram um carinho grande por nós”, explicou o orgulho brasileiro.

Arrependimento? Nenhum. “Decidi morar um tempo no Timor Leste e tirar minha dupla nacionalidade pelo desafio e por entender que poderia ser uma nova oportunidade na carreira. Não me arrependo do que fiz, até porque, fiz isso por falta de oportunidades no futebol brasileiro”, explicou. 

No país fala-se o português e o tétum, ou seja, a língua acabou facilitando a adaptação. A família que teve dificuldades em aceitar as escolhas do zagueiro, que jogou na China, Emirados Árabes e Tailândia. “Quando falei que iria jogar pelo Timor Leste não entenderam muito bem. Como eu jogaria por outro país? Mas depois entenderam que era uma forma de manter meu sonho vivo e passaram a me apoiar.”

Atualmente, Paulo Martins negocia com times do exterior, mas quer mesmo voltar a jogar no Brasil. “Tem algumas conversas e estou vendo onde vou jogar. Gostaria de ter uma nova oportunidade no meu país, mas aqui as coisas são bem complicadas”, lamentou.

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