Falta de planejamento tira trio de ferro da final paulista

Corinthians, Palmeiras e São Paulo também sofreram com as contusões e a pressão da torcida

Daniel Batista, Fernando Faro e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2014 | 18h22

SÃO PAULO - Elencos desequilibrados, falta de planejamento, alto número de contusões e a pressão exagerada da torcida explicam o fracasso do trio de ferro no Campeonato Paulista 2014 - o Corinthians foi eliminado ainda na primeira fase; o São Paulo parou nas quartas e o Palmeiras, na semifinal.

O Corinthians foi o dono do maior vexame e não conseguiu passar da primeira fase. Se antes muitos culpavam Tite pelo péssimo desempenho no Campeonato Brasileiro, sob o comando de Mano Menezes a equipe também rendeu abaixo da crítica. A reformulação no elenco foi tardia e acelerada depois que mais de cem torcedores invadiram o CT do Parque Ecológico no dia 1º de fevereiro, provocando uma debandada de jogadores. Após a invasão, deixaram o clube Alexandre Pato, Douglas e Paulo André – Ibson havia saído um pouco antes. Entre os reforços, apenas Jadson e Luciano vingaram. Mas entraram na equipe tarde demais. E o time continuou sem boas peças de reposição. O Corinthians passou seis jogos sem vencer e viu os adversários abrirem uma larga vantagem, que tornou-se impossível de ser tirada.

Outro ponto crucial para a eliminação precoce da equipe foram as lesões. O atacante Paolo Guerrero sofreu duas seguidas e pouco jogou. Já o lateral-esquerdo Fábio Santos só estreou na temporada já no fim da primeira fase. Cássio foi mais um que demorou a fazer o seu primeiro jogo enquanto Renato Augusto era submetido a uma carga específica de treinos para poder estar 100% no Campeonato Brasileiro.

O Palmeiras viveu uma situação dramática de falta de opções no elenco para determinadas posições. Na derrota para o Ituano, na semifinal, a contusão de Alan Kardec comprometeu o ataque de maneira irreversível, pois não havia um centroavante reserva. O elenco tem muitos atacantes (Leandro, Diogo, Alan Kardec, Miguel e Rodolfo), mas nenhum com as características do titular. A situação foi agravada com os problemas de contusão na partida. Wendel se contundiu no treino de sábado; Kardec e Fernando Prass, durante o jogo; Bruno César e Juninho continuaram no jogo machucado por que o técnico Gilson Kleina já havia feito as três alterações permitidas. "A fatalidade de termos seis jogadores machucados, fazer uma substituição e um jogador ficar em campo machucado. Isso, querendo ou não, contribuiu porque não conseguimos ter um desempenho igual ao o que tínhamos", lamentou o treinador.

Outra posição carente é a lateral-direita. Ao longo do torneio, o titular foi Wendel, um volante improvisado. O plano B era Tiago Alves, que mostrou que precisa de um tempo de adaptação para atuar pelo setor e Bruninho ainda está em fase de transição dos juniores para o time principal.

Os planos para a disputa do Campeonato Brasileiro começam exatamente pelo nivelamento do elenco. Gilson Kleina, confirmado no cargo apesar da eliminação, teve uma reunião com o presidente Paulo Nobre e reafirmou a necessidade de um lateral e um centroavante. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, as mudanças serão pontuais, e a base será mantida.

RECONSTRUÇÃO

O problema do São Paulo é uma reconstrução que ainda está em curso. De 2009 para cá, passaram pelo banco de reservas do Morumbi os treinadores Ricardo Gomes, Sergio Baresi, Paulo Cesar Carpegiani, Adilson Baptista, Emerson Leão, Paulo Autuori e, agora, Muricy Ramalho. A sequência de mudanças, obviamente, prejudica a criação de uma base. No ano passado, o time passou boa parte do Brasileirão lutando contra o rebaixamento e só se salvou depois que Muricy Ramalho foi contratado. O time permaneceu na elite, mas Muricy reconhece que a equipe ainda está em formação. "A gente não fez um bom campeonato. Estamos em formação, trazendo jogadores, mas não fizemos campeonato para brigar pelo título", reconheceu o treinador após a derrota, nos pênaltis, para o Penapolense.

Coincidentemente, um ano atrás, o time também enfrentou o mesmo rival do interior pelas quartas de final do Campeonato Paulista. Entre um confronto e outro, seis jogadores deixaram o time titular. Entre trocas de treinadores e mudanças no elenco, o Tricolor só venceu a Copa Sul-Americana no fim de 2012, competição secundária para uma equipe que sonha com o tetracampeonato da Libertadores.

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