Hélvio Romero/Estadão
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Mauro Cezar Pereira
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Falta o tempero da ousadia

Times do Brasileirão se preocupam com balanço defensivo e pouco têm produzido no ataque

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2019 | 04h30

Renato "Gaúcho" Portaluppi, em menos de três anos de Grêmio, faturou Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017), Recopa Sul-Americana (2018) e é bicampeão Gaúcho (2018 e 2019). Fábio Carille, de 2017 para cá, com alguns meses afastado do Corinthians no ano passado, levou o Brasileirão (2017) e faturou o tricampeonato paulista (2017, 2018 e 2019).

Nove troféus em cerca de dois anos e meio conquistaram os dois treinadores, mas o encontro de seus times sábado não mereceu sequer uma pequena medalha. Outro jogo fraco, sem grandes situações de gol e com times mais preocupados em não perder do que em ganhar. Decepcionante de ver seis dias após o empolgante Fluminense 5 a 4 no Grêmio e depois dos incríveis jogos da Champions League.

Como explicar o comportamento gremista após protagonizar peleja emocionante e franca frente ao tricolor carioca? A diferença do rival. Se o Flu permitiu aos gaúchos chegarem na área e abrir 3 a 0, também teve ousadia para agredir e virar. Com o Corinthians é diferente. Cautela, imensas preocupações defensivas e postura até certo ponto ortodoxa marcam o comportamento da equipe. Vindo de derrota no certame, sem vitória até aqui e na zona do rebaixamento, o Grêmio ainda estava fora de casa e sabia que o rival adora explorar espaços na defesa de quem se lança ao ataque. Naturalmente se preveniu. Como o Corinthians não age, reage, vimos um jogo de passes trocados e pouquíssima contundência. Ataques tímidos, posse de bola longe do gol inimigo e semi-estéril. Castigo para olhos acostumados aos duelos francos, corajosos, sem medo.

Sim, sabemos que partidas espetaculares não são fartas e por isso tanto as valorizamos. Mas um tempero de audácia cairia bem nesse time corintiano. Fábio Carille diz ter visto evolução, sinaliza com time pronto após o tempo para treinar que terá na Copa América. Mas é preciso tanto para pelo menos desejar mais e buscar a vitória? 

À sua maneira, o Palmeiras foi atrás dela em Minas. Bateu o Atlético na primeira partida mais complicada do rival, que vencera os três jogos disputados até então, dois contra times que em 2018 lutaram para não cair (Vasco e Ceará) e um ante equipe que no ano passado estava na Série B (Avaí). O atual campeão se lança na ponta da tabela com seu jogo defensivo de muitas individualidades na frente. Com o festival de lançamentos de Weverton.

O goleiro retardou inúmeras vezes a reposição de bola. Vencendo por 2 a 0, com o oponente se mostrando inofensivo, manteve a proposta pobre e eficaz nesse contexto de mediocridade futebolística. Chutão para longe, briga pela posse mais perto da área rival, se os atleticanos recuperassem a bola, pressão para retomá-la perto do gol rival. Sair jogando? Para quê? 

Independentemente disso, da possibilidade de sucesso com proposta tão paupérrima, o Santos segue fazendo o seu próprio jogo. Com mais ou com menos tempo de pelota nos pés, de acordo com o rival e o contexto do jogo, a equipe de Sampaoli constrói jogadas, troca passes, agride e finaliza. Venceu facilmente o Vasco por 3 a 0 num jogo em que somou 23 finalizações.

Ao assumir a primeira posição, o Palmeiras será elogiadíssimo. Tem seus méritos, obviamente. Mas segue pobre de ideias, aproveitando mal seu elenco e caminhando para manter um reinado em meio às limitadas propostas que infestam o certame, que tem um Flamengo que regrediu, um Cruzeiro que repete as pálidas campanhas recentes e um Grêmio que nem consegue vencer.

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