Nilton Fukuda/Estadão
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Faltou mais do que futebol ao Palmeiras contra o Tigres

Derrota para o rival mexicano dá adeus ao sonho do time brasileiro de brigar pelo Mundial

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2021 | 20h29

A derrota do Palmeiras redesenha a força do futebol continental, tirando o representante sul-americano da segunda posição entre os participantes, uma vez que os clubes europeus são sempre os favoritos – desde a edição de 2013 eles ganham o torneio.

O futebol brasileiro encolhe com o resultado do Palmeiras no Catar, resume-se à Libertadores e daí não avança mais. Se o time alviverde é o melhor que a América do Sul tem a oferecer, o cenário é desanimador. Ocorre que nem sempre quem ganha a Libertadores é dono do melhor futebol. O Flamengo foi em 2019. O Palmeiras, talvez não. E comprovou isso diante do rival mexicano, que jogou melhor, teve mais tranquilidade, paciência, inteligência e técnica para ganhar o duelo.

Há ainda um outro ponto em relação à partida no Catar: a falta de coragem da equipe brasileira. Não jogou nada e apostou, pelo posicionamento em campo, que poderia “achar” um gol a qualquer momento, a exemplo do que ocorreu diante do Santos na decisão da Libertadores semana passada.

Faltou futebol ao Palmeiras. Faltou técnica. Faltou marcação. Faltou pegada. Faltou coragem. Faltou até disposição. E não pode faltar nada disso para quem quer ganhar um Mundial.

Precisava entender um pouco melhor se o grupo se encantou demais com a Libertadores, o que é perfeitamente normal para esses garotos, que até descoloriram o cabelo, e não levou como deveria a partida diante do Tigres. Alertas não falaram, de todos os lados, inclusive do técnico Abel Ferreira, que sabia a força do adversário, estudioso que é do futebol internacional.

O Palmeiras fez muitas boas partidas na temporada, algumas de encher os olhos, mas também emperrou em campo em outras ocasiões. O time, apesar da campanha e dos méritos, é comum, com altos e baixos. Os meninos continuam sendo uma boa safra. Isso não muda. O elenco é interessante. Mas não para um Mundial. O torneio me fez rever a decisão de 1999 entre Palmeiras e Manchester United e aquele jogo foi sim um castigo para os brasileiros, com chances claras de ganhar.

Vinte e um anos depois, esse Palmeiras, que tanto enche de orgulho sua torcida, não chega nem perto daquele.

A vitória do Tigres foi merecida. Inquestionável. O Palmeiras sentiu o torneio. Seus jogadores desapareceram em campo. Luan foi juvenil no pênalti. Marcos Rocha só joga para trás. Viña não foi nem de longe o lateral dono da posição. O meio de campo inexistiu. Os garotos aprenderam nova lição: não se ganha com o nome apenas. Rony foi um atacante esforçado, como em toda a temporada. Luiz Adriano foi comum. Sobrou quem? Weverton. Este sim um atleta regular. Não fossem suas defesas, o Palmeiras poderia ter perdido de mais.

Se o segundo lugar no futebol não vale nada, imagina o terceiro? O Palmeiras terá de fazer essa partida antes de arrumar as malas e voltar para casa, para sua sequência no Brasileirão e decisão da Copa do Brasil. Pode ainda ter nova taça, diante do Grêmio, e deixar o torcedor um pouco mais satisfeito e feliz. Mas é o Palmeiras forte apenas dentro de casa.

A disputa do terceiro lugar só teria atração se fosse diante do Bayern de Munique, mas isso é difícil de ocorrer. Para voltar ao Mundial, terá de ganhar de novo a Libertadores.

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