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Família de torcedor morto processará médico

A família do torcedor corintiano Marcos Gabriel Cardoso Soares, de 16 anos, que morreu na terça-feira após uma briga com torcedores palmeirenses no domingo, vai entrar com um processo de indenização contra o médico Paulo Shigeru Ishikawa e o Pronto Socorro (PS)Municipal Dr. Álvaro Dino de Almeida. O advogado da família José Luiz Pereira estuda também a possibilidade de processar a torcida Mancha Verde. Nesta quarta-feira, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) instaurou denúncia contra o médico, abrindo sindicância para investigar se houve negligência no atendimento.?É evidente que ele (Marcos) deveria ter ficado em observação, até pelos hematomas que apresentava pelo corpo todo. Vamos entrar com um processo contra o médico, o hospital e possivelmente contra a Mancha Verde?, disse Pereira. Marcos se envolveu em uma briga entre torcedores no domingo, na Barra Funda, e ficou com várias lesões pelo corpo. Ele foi encaminhado ao pronto-socorro, onde passou por raio X ? no qual não foi constatada fratura no crânio ? e exames neurológicos, que avaliaram seu nível de consciência. Como não apresentava sintomas (dores de cabeça, tontura), foi liberado em seguida por Ishikawa. Na manhã de segunda-feira, sentiu-se mal e foi levado a um pronto-socorro na Zona Leste. Depois, foi encaminhado ao Hospital Santa Cecília, onde morreu por traumatismo craniano. A família questiona o procedimento do hospital, alegando que ele deveria ter ficado em observação. Segundo a diretora do PS Dr. Álvaro Dino de Almeida, Castálide Benetom de Campos Lopes, o procedimento médico foi adequado e, por isso, não será aberto inquérito interno. ?O médico desempenhou da forma que a gente esperava que fizesse e o paciente foi orientado a procurar um serviço de saúde se houvesse algum sintoma. Daí para a frente, a gente não responde mais?, disse. Ela informou que, se o adolescente houvesse retornado ao PS com a presença de sintomas, teria sido encaminhado para o departamento de neurocirurgia da Santa Casa, onde poderia fazer uma tomografia. ?Ele foi prontamente atendido e a orientação foi dada. Não houve falha.?Mesmo assim, o Cremesp vai investigar se o procedimento foi correto. Neste caso, o próprio Conselho apresentou a denúncia. Caso haja algum indício de infração ética, será aberto um processo ético-disciplinar que, em casos mais extremos, pode levar à cassação do profissional. Qualquer pessoa, com laços de parentesco ou não, pode apresentar denúncia de procedimentos médicos pessoalmente na sede do Cremesp ou delegacias regionais (informações no site www.cremesp.org.br ou pelo telefone 3017-9300). ?Ém geral, um PS mantém um paciente politraumatizado (com várias lesões, como foi o caso de Marcos) em observação por 24 horas, até porque ele pode ter uma complicação nos rins ou baço. Mas não é uma conduta estabelecida. Se ele foi liberado, teria que ser orientado sobre o risco?, diz o neurologista Rogério Tuma, do Hospital Sírio Libanês. Normalmente, quando uma pessoa bate ou leva uma pancada na cabeça, deve ficar sob observação, mas não necessariamente no hospital. Nas próximas 24 horas, a família ou pessoas que conhecem bem o paciente devem ficar atentos para alterações de comportamento, como sonolência, tontura, dor de cabeça, fraqueza, aumento do diâmetro da pupila, dificuldade de movimentos ou fala. Neste caso, a pessoa deve ser levada imediatamente para um hospital. ?O ideal é que se procure hospitais que tenham recursos, como um aparelho de tomografia de crânio e um neurologista ou neurocirurgião de plantão?, diz Tuma. Isso porque uma lesão pode demorar dias e até meses para manifestar os sintomas. O neurocirurgião Claudio Fernandes Correa, do Hospital Nove de Julho, explica que quando há uma lesão numa veia de pequeno calibre, pode haver um sangramento lento que, aos poucos, vai ocupando espaço dentro do crânio e provocando uma pressão intracraniana progressiva. E nem sempre é preciso ocorrer fratura para haver sangramento.

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