Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

Fan Fest tira moradia de estudantes da Universidade de Moscou

Ação gerou protestos por parte dos estudantes, que também reclamam dos danos ambientais causados pela obra

Glauco de Pierri e Gonçalo Junior, enviados especiais a Moscou, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 07h00

Estudantes da Universidade Estatal de Moscou tiveram de deixar suas moradias no campus no mês de maio para a construção de uma Fan Fest, instalação da Fifa que reúne o público nos grandes jogos da Copa. A ação gerou inúmeros protestos estudantis, mas não há previsão de retorno, pois o local deve ser entregue à iniciativa privada após o Mundial. A Fan Fest deverá ser um dos grandes pontos de celebração da estreia da Rússia na Copa, quinta-feira, contra a Arábia Saudita. A Fifa espera receber 40 mil pessoas no local.

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Os estudantes também reclamaram dos danos ambientais causados pela obra, em um local que era dedicado para os cursos de Ciências Naturais. Por fim, o movimento aponta indícios de superfaturamento. O orçamento inicial da Fan Fest foi de 100 milhões de rublos (R$ 6 milhões), mas a obra chegou a 2,4 bilhões de rublos (R$ 150 milhões). A reitoria da universidade e o Comitê Organizador Local não atenderam aos pedidos de esclarecimentos do Estado.

Não existem informações precisas sobre o número de estudantes que perderam a moradia, pois o tema virou assunto proibido em Moscou. “Você está louco, não vou falar sobre isso”, disse um estudante questionado na entrada da universidade. “Procuro focar apenas nos meus estudos. Não sei o que aconteceu”, desconversa Ruslan Bogateron, aluno da Mecânica. Sob a condição de anonimato, dois alunos afirmaram que três dos oito prédios de moradia do campus foram cedidos para a construção da Fan Fest.

Entre os meses de maio e junho, a universidade foi sacudida por inúmeros protestos. Em um deles, alunos de vários cursos deram o tradicional abraço simbólico no local da construção. Três estudantes do curso de Linguística chegaram a ser detidos pela polícia. O caso mais grave aconteceu com o aluno Dimitri Petelina, responsável por pichação em um dos banners. Ele ficou detido por um dia por ter escrito No to the Fan Fest (Não à Fan Fest) em um dos banners pregados no local.

 

Os alunos só foram liberados depois de assinarem algo como um termo circunstanciado, mas responde a processo criminal por vandalismo. O movimento ficou restrito à universidade e não conquistou o apoio de outras instituições. A universidade, conhecida como MGU, é a mais importante do País. Possui cerca de 1 milhão de metros quadrados e mil prédios e instalações. Hoje, são 12 mil alunos em centenas de cursos.

Protestos costumam ser reprimidos com energia na era Putin, o grande fiador da Copa. Em maio, 1.597 manifestantes foram presos em 29 cidades por protestarem contra a posse do presidente. Dois meses antes, ele foi eleito para o quarto mandato com 76% dos votos.

 

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