Farah tenta "limpar" sua imagem

Preocupado com o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Futebol, instalada no Senado, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) , Eduardo José Farah, começou nesta semana a investir pesado para tentar "limpar" sua imagem. Certo de que vai protagonizar algumas páginas do documento (e vai mesmo), o dirigente quer demonstrar que conta com o apoio dos clubes do Estado. Por isso, providenciou, por meio da FPF, um manifesto assinado por 43 filiados e 26 diretores, intitulado "Apoio total ao presidente Farah". Mas o que o próprio Farah e seus assessores não contavam é que a publicidade chamasse mais a atenção pelos clubes que se recusaram a assinar do que propriamente pelos que aceitaram apoiá-lo. Palmeiras, São Caetano, Ponte Preta, Rio Branco de Americana, Botafogo de Ribeirão Preto e até mesmo o Guarani, clube do coração do dirigente, não aparecem. Outros grandes, como Corinthians, São Paulo, Santos e Portuguesa fazem coro de desagravo ao lado de Oeste FC, União de Mogi, Bandeirante, Juventus, entre outros. Para o presidente da CPI, senador Álvaro Dias (PDT-PR), motivos não faltam para Farah estar preocupado. Segundo ele, esse tipo de iniciativa, que primeiramente procura passar uma idéia de organização e conduta sérias, causa uma reação contrária. "Se houvesse tranqüilidade da parte dele (Farah), não seria necessário fazer nada disso", afirmou o parlamentar. Já o apoio de alguns clubes, além de evidenciar que a administração da Federação não é aprovada por todos, não qualifica o documento. "Nunca houve preocupação dos clubes em coibir as irregularidades da entidade. Trata-se de uma convivência nociva." Enrolado - A Agência Estado apurou que o relatório da CPI do Senado, que será lido no próximo dia 4 e votado dois dias depois, vai centralizar suas conclusões sobre Farah sobretudo em dois aspectos: a auto-remuneração e a utilização de recursos da FPF que foram emprestados para clubes não-paulistas e outras federações, como a mineira. No primeiro caso, alguns vice-presidentes, como Rubens Aprobato Machado e seu irmão, Sérgio Aprobato Machado, estão envolvidos na emissão suspeita de dois cheques de R$ 50 mil da FPF. Outro caso é referente a HVA, empresa contratada pela Federação e que contaria com os serviços do advogado Eduardo José Farah. Ou seja, a FPF pagaria a HVA que, por sua vez, retornaria parte desse dinheiro para Farah.

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