Fãs fazem vigília por Maradona

A porta da Clínica Suíço-Argentina, em pleno centro portenho, tornou-se o maior ponto de romaria do país, onde centenas de pessoas estão fazendo vigília permanente. Elas rezam pela saúde de seu ídolo, o ex-astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, que está em estado crítico desde o domingo à noite.O jornal esportivo "Olé" deixou claro em uma de suas manchetes a aura de divindade que usufrui o ex-astro entre grande parte da sociedade deste país: "Força, Deus, força!". Um dos fãs na porta da clínica segurava um cartaz com os dizeres "Deus (Maradona), estamos contigo!".A aglomeração de pessoas foi de tal magnitude que a polícia teve que dividir com grades metade da avenida Pueyrredón, onde está localizada a clínica.A angústia entre os fãs continuou nesta segunda-feira, já que segundo um lacônico e ambíguo comunicado oficial médico, o estado de saúde do ex-astro ainda é grave, mas apresentaria uma leve melhoria.Segundo o comunicado, Maradona teria uma pneumonia.No domingo, o obeso "El Diez" (O Dez), como é conhecido popularmente, foi levado às pressas para o hospital, onde chegou tremendo e suando em bicas. O presidente Néstor Kirchner comunicou-se nesta segunda com a família de Maradona para expressar sua "preocupação". Kirchner disse que o ex-astro era "uma grande pessoa" e que é preciso torcer por ele, já que Maradona "nos fez chorar de alegria".DROGAS - Os analistas esportivos e os colunistas sociais - para os quais Maradona foi um dos maiores filés-mignon das fofocas e escândalos na última década e meia - não levam a sério as afirmações de Cahe e especulam que o polêmico "El Diez" teria tido uma overdose de cocaína.Uma das versões indica que o ex-astro - que tem fraco pelas festas regadas com abundante bebida e a presença de curvilíneas modelos - teria passado várias noites seguidas sem dormir, e que na madrugada do sábado para o domingo teria consumido fortes drogas.No entanto, o médico pessoal de Maradona, Alfredo Cahe, desmentiu enfaticamente esta versão. Segundo Cahe, o ex-jogador não consome drogas há muito tempo.O médico - diante dos olhares incrédulos dos jornalistas - sustentou que é provável que o ex-jogador tenha uma infecção pulmonar causada por uma friagem que teria tido "quando jogava golfe com o torso nu".Cahe disse que Maradona - homem de baixa estatura - está pesando ao redor de 100 quilos e que sofre de retenção de líquido. Nunca antes o decadente ex-astro esteve tão gordo.Para a médica Mariana Lestelle, especialista em drogas, apenas 40% do coração de Maradona funciona. Outro especialista, o médico Eduardo Kalina, sustentou que consumir drogas é um costume "que tem conseqüências graves e que a curto ou longo prazo paga-se caro".Mas, na mente dos fãs, Maradona ainda é a ágil figura que driblava os adversários com uma malícia poucas vezes vista nos estádios argentinos.Na porta do hospital, os fãs acenderam velas para pedir a proteção divina de seu ídolo. Além disso, ostentam cartazes e faixas com os dizeres "ontem, hoje, amanhã e sempre, Maradona presente" e "Obrigado, Diego, por tudo".Fotos do ex-jogador foram coladas ao longo desta segunda-feira nas paredes da Clínica, que tornou-se um santuário. Os fãs que passam pelo lugar deixam pequenos recados manuscritos desejando a melhora do ídolo.Alguns dos "maradonamaníacos" prometem não deixar o lugar até que "El Pibe de Oro" (O Garoto de Ouro) - outro dos apelidos do ex-astro - não tenha a alta médica.CRISE - Maradona passou a maior parte dos últimos quatro anos em Cuba, onde realiza um tratamento contra sua dependência das drogas. No entanto, há quase um mês veio à Buenos Aires para resolver problemas em dois fronts: o financeiro e o sentimental.Neste último front, o ex-jogador veio para definir os detalhes de seu divórcio com Claudia Villafañe, sua esposa há duas décadas, que foi alvo de inúmeras infidelidades de "El Diez", que teria pelo menos dois filhos extra-matrimoniais.O primeiro front era explosivo: Maradona rompeu a relação com seu eterno manager, o polêmico Guillermo Coppola, a quem atualmente acusa de tê-lo desfalcado e levado à beira da falência.REPERCUSSÃO - Nos cafés de Buenos Aires, onde o debate é um esporte diário, os portenhos dedicavam-se a discutir as causas do grave estado de saúde de "La Mano de Dios" (A Mão de Deus), como é chamado desde que fez um gol com a mão contra a seleção da Inglaterra na Copa do Mundo de 1986.O mesmo conteúdo das conversas de bar repetia-se na mídia do país, que dedicou-se quase que exclusivamente à cobertura sobre a saúde do ex-jogador. O anúncio do mega-plano de Kirchner contra a criminalidade, a visita do vice-secretário do Tesouro dos EUA e a reunião do Mercosul com a União Européia ficaram em segundo plano diante da imensa demanda de informações sobre a saúde de "El Pibe"."Mais de metade do mundo olha com atenção os acontecimentos relativos a Maradona", anunciou com estrépito o canal de TV "Todo Notícias". "Agüente" foi a manchete do jornal esportivo "Olé", que o chamou de "Deus", além de afirmar que todo o planeta "reza" por ele.Para o jornal de esquerda "Página 12", Maradona teve "sua noite de maior angústia". O sóbrio e tradicional "La Nación" afirmou que o coração do obeso ex-astro "está danificado e esgotado". O jornal econômico "Infobae" afirmava que o estado de Maradona era "grave".

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