Favoritismo italiano tira técnico Marcelo Lippi do sério

O favoritismo absoluto e a pressão de não jogar fora a chance de superar adversários sem tradição nas oitavas e quartas-de-final parece estar pesando nos ombros do técnico italiano Marcello Lippi. Neste domingo, em sua última entrevista antes da partida desta segunda-feira contra a Austrália, em Kaiserslautern (às 12 horas de Brasília), ele se irritou com uma pergunta banal, fez um discurso furioso contra a imprensa, soltou um palavrão e se levantou intempestivamente para ir embora - só não abandonou a sala graças à intervenção do assessor de imprensa da Federação Italiana de Futebol. Todos os que cobrem a Itália estão cansados de saber que Lippi nunca revela a escalação. Perguntar sobre isso é perder tempo, porque a resposta é sempre a mesma: ?Venha ao jogo amanhã e você vai ver quem jogará.? O que tirou o treinador do sério foi a pergunta sobre a mudança de postura do time, que começou a Copa mais ofensivo e contra a República Checa foi mais cauteloso, fiel ao estilo italiano. Lippi disse que não responderia e deu início a um debate que foi esquentando até se tornar um bate-boca que deixou pesado o clima na sala. Antes disso, ele já havia dado sinais de irritação. Quando lhe disseram que os australianos consideram a Itália favorita, ele reagiu com uma alfinetada em Guus Hiddink, o holandês que dirige o rival desta segunda-feira. ?Isso é uma esperteza da parte deles. A Coréia usou esse discurso há quatro anos e agora querem repeti-lo.? A única pessoa que fazia parte da delegação coreana e agora está na australiana é Hiddink. Depois, questionado se fisicamente a Itália é inferior à Austrália, respondeu: ?Vamos jogar futebol, não correr uma maratona.?O técnico sabe que toda a Itália espera ver o time pelo menos nas semifinais diante do caminho pouco espinhoso que o destino reservou aos seus comandados. Escapar do confronto com o Brasil e pegar a Austrália nas oitavas-de-final é uma bênção. E em seguida enfrentar Suíça ou Ucrânia nas quartas é melhor do que a encomenda. Não tirar proveito disso seria uma tragédia para um país que não vence a Copa desde 1982. ?Quanto mais pensarmos que nosso caminho é fácil, mais difícil ele será. A Argentina sofreu contra o México, a Inglaterra suou para passar pelo Equador...A Austrália é compacta, forte e sabe jogar no erro do adversário. Não existe mais Davi contra Golias no futebol."Pode não existir. Mas se a Itália for eliminada nesta segunda-feira é bom Lippi se preparar, porque levará pedrada de todo lado. Ficha técnica:Itália x AustráliaItália: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso; Gattuso, Pirlo, Perrotta e Totti; Toni (Camoranesi) e Gilardino. Técnico: Marcello Lippi.Austrália: Schwarzer, Bresciano, Neill, Moore e Chipperfield; Culina, Grella, Cahill e Kewell; Viduka e Aloisi. Técnico: Guus Hiddink.Juiz: Medina Cantalejo (ESP)Local: KaiserslauternÁrbitro: 12 horas (de Brasília)

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