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A rodada final do Brasileiro tem como atração a escolha do último rebaixado: o Inter?

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2016 | 06h00

A temporada nacional chega ao fim neste domingo – ao menos dentro de campo –, com a disputa da última rodada da Série A. A principal definição ocorreu duas semanas atrás, com a confirmação do título para o Palmeiras. Conquista merecida da equipe mais regular, homogênea, equilibrada e que, por muito pouco, não liderou a competição de cabo a rabo. Só com muita má vontade para contestar a proeza de Cuca e os rapazes dele. 

Restam alguns aspectos a definir. O segundo lugar está aberto, com vantagem para o Flamengo diante do Santos (70 pontos a 68). Atlético Paranaense (56), Botafogo (56) e Corinthians (55) jogam por vaga na fase preliminar da Taça Libertadores, tira-teima interessante, porque envolve planejamento para saltos importantes dos clubes no calendário de 2017.

Muito bem. Mas, o que chama mesmo a atenção do público, no domingo de fechar a conta do Brasileiro é a escolha do quarto rebaixado. América-MG, Santa Cruz e Figueirense já foram para o espaço e fizeram as malas para a Série B. Vitória (45), Sport (44) e Inter (42) são os que ainda se veem ameaçados. Na teoria, baianos e pernambucanos têm mais chances de safar-se; a corda aperta bem o pescoço dos gaúchos, que visitam um Flu desinteressado. 

Se vier a despencar, será castigo inédito e duro para a turma colorada. No entanto, merecido. A trajetória ao longo do ano foi injuriosa para a história de um gigante do futebol. Erros acumularam-se aos montes, com a bola a rolar e nos bastidores. Sobretudo do lado de fora. A direção perdeu-se mais do que os jogadores, e escancarou despreparo ao nomear quatro treinadores, sempre na tentativa de driblar o buraco.

Na primeira turbulência, após flertar com o topo, despachou Argel e apelou para Falcão. O ex-ídolo mal esquentou banco e foi ejetado. Em seguida, se recorreu a Celso Roth, com fama de apagador de incêndios. Ao encerrar a aventura, o Inter se encontrava no fundo da tabela. Para o toque de classe na série de trapalhadas, a cartolagem foi atrás de Lisca, notável por opções táticas “malucas” e pelo destemor. Características que, pelo visto, não têm feito diferença em favor da equipe. 

O pior esteve reservado para o período em que o campeonato sofreu pausa forçada, em função da tragédia com a Chapecoense. Primeiro houve a gafe cometida por Fernando Carvalho, ao lamentar a “tragédia particular” da agremiação que dirige – comparação infeliz e posteriormente retratada. Daí, são os atletas que vêm a público afirmar falta de condições psicológicas para a rodada derradeira. Outra bola fora, que os moços tentaram corrigir no dia seguinte, até com a disposição de aceitar o provável rebaixamento...

Para tirar nota 10 nas confusões, a tropa jurídica buscou brechas para a salvação no tapetão. O alvo se concentrou em Victor Ramos, zagueiro do Vitória supostamente escalado de maneira irregular. Falha apontada pelo Bahia, durante a disputa do estadual, e devidamente rejeitada na época. O Inter pagou para ver, foi adiante, e o STJD arquivou a denúncia. Resta aguardar se cumprirá a advertência de ir às últimas consequências. Nunca se sabe do que são capazes dirigentes atordoados e criticados...

O Inter dará mostra de grandeza, que tem de sobra, se cair e disputar o Acesso, como tantos outros de igual peso. Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG, Grêmio são alguns que viveram experiência semelhante, reagiram e voltaram reforçados. Não é o fundo do poço. E que tome a Chapecoense como exemplo; os catarinenses iniciam com dignidade o processo de reconstrução, com recursos próprios, com ajuda e com o técnico Vagner Mancini à testa. 

E que tudo siga em paz em 2017.

PAUSA

O colunista entra em férias e retorna em janeiro. Boas Festas. 

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