Ralph Orlowski/Reuters
Ralph Orlowski/Reuters

Alemanha admite pagamento à Fifa, mas nega compra de votos

Federação é acusada de pagar propina para sediar Copa de 2006

Estadão Conteúdo

22 de outubro de 2015 | 13h04

O presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão), Wolfgang Niersbach, voltou a negar de forma veemente, nesta quinta-feira, que houve compra de votos por parte da entidade para vencer a disputa que elegeu a Alemanha sede da Copa do Mundo de 2006. Em uma entrevista coletiva organizadas às pressas, em Frankfurt, o dirigente ressaltou que "tudo foi feito por meios honestos" com a Fifa.

Niersbach se manifestou publicamente após receber forte pressão de organismos regionais de futebol da Alemanha, que cobraram explicações para a acusação de que foram utilizados cerca de US$ 6 milhões para a candidatura do país comprar apoio no processo de escolha da sede do Mundial de 2006.

O dirigente confirmou que houve um pagamento feito à Fifa, reportado na semana passada pelo semanário alemão Der Spiegel, mas esclareceu que o mesmo foi realizado para organização da Copa, em uma reunião ocorrida em 2002, dois anos depois de a Alemanha ter sido eleita sede da competição. Isso em uma votação realizada em 2000 pelo Comitê Executivo da entidade que controla o futebol mundial.

Niersbach disse que o acordo ocorreu durante uma reunião que contou com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o então presidente do comitê organizador do Mundial, Franz Beckenbauer, em janeiro de 2002. Na última sexta, porém, o Der Spiegel informou que um "Caixa Dois" de 10,3 milhões de francos suíços (cerca de US$ 6 milhões na época) foi criado para comprar os votos de quatro representantes da Ásia no Comitê Executivo da Fifa.

O líder da DFB, entretanto, negou que isso tenha ocorrido e ressaltou: "A mensagem chave é que tudo foi feito com meio honestos para a candidatura à Copa de 2006. Não houve ''Caixa Dois'', não houve compra de votos". Ele já havia negado estas acusações do semanário alemão também na última segunda-feira.

Niersbach afirmou ainda que visitou a residência de Beckenbauer na Áustria, na última terça, onde falou sobre o acordo que foi feito entre ele e Blatter. Na época do acordo, a Fifa se comprometeu a fornecer um subsídio de 250 milhões de francos suíços (cerca de 170 milhões de euros no câmbio daquela ocasião), mas, segundo Niersbach, a entidade só aceitava ceder este valor se recebesse previamente a quantia de 10 milhões de francos suíços (cerca de 6,7 milhões de euros) para o Comitê de Finanças da Fifa. Este valor, no caso, teria sido pago como forma de garantia para o trato e depois seria devolvido pela entidade máxima do futebol.

Naquela ocasião, Beckenbauer concordou em assumir o pagamento para fins privados, uma vez que considerou que a situação financeira global do mundo era sólida, mas acabou sendo o então executivo da Adidas, o francês Robert Louis Dreyfus, que fez a transferência. E, ao ser questionado sobre o motivo para Dreyfus ter feito o pagamento, o presidente da DFB admitiu: "Nem eu tenho claro isso. Não posso responder essa pergunta".

O presidente da NFB ainda assegurou que "o Comitê Organizador da Copa do Mundo teve três possíveis vias de renda: venda de ingressos, patrocínios e um subsídio para a organização".

Apesar de todas as alegações de Niersbach, uma comissão da DFB está investigando o caso, bem como um internacionalmente respeitado escritório de advocacia, mas o dirigente não soube dizer quanto tempo levará a apuração. Promotores alemães estão examinando se há motivos para a abertura de uma investigação sobre as acusações.

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