Maja Hitij/EFE
Maja Hitij/EFE

Federação alemã investiga possível insulto racista em jogo da Bundesliga

Nadiem Amiri, meia do Bayer Leverkusen, teria sido ofendido por seus pais serem do Afeganistão

Redação, Estadão Conteúdo

16 de janeiro de 2021 | 14h36

A Federação de Futebol da Alemanha (DFB, na sigla em alemão) abriu uma investigação para apurar se o zagueiro do Union Berlin, Florian Hubner, usou uma ofensa racial contra o meio-campista do Bayer Leverkusen, Nadiem Amiri, no duelo entre os dois times na sexta-feira, pela 16ª rodada do Campeonato Alemão.

A federação disse neste sábado que existe uma "suspeita" de que Hubner usou uma injúria racial para insultar Amiri, cujos pais são do Afeganistão, no final da partida, que terminou com vitória do Union Berlin por 1 a 0.

"Vamos assumir esta suspeita inicial e iniciar as devidas investigações no início da semana", afirmou Anton Nachreiner, presidente do comitê de controle da federação.

"Para a primeira etapa, vamos escrever para todos os envolvidos e pedir que deem seus depoimentos. Também avaliaremos os materiais disponíveis", completou o dirigente. Nachreiner ressaltou que a entidade "fundamentalmente não tolera racismo ou qualquer forma de discriminação".

Após o apito final, Amiri e Hubner se desentenderam. O meio-campista alemão de origem afegã se aproximou do zagueiro com o dedo em riste em seu rosto. O jogador do Bayer Leverkusen também discutiu com outros atletas do Union Berlin.

O técnico do time da capital, Urs Fischer, tentou, sem sucesso, acalmar Amiri, que estava descontrolado. Jonathan Tah, zagueiro do Leverkusen, disse em entrevista à plataforma DAZN que Amiri foi insultado por um adversário, que usou um termo de cunho racial, referindo-se à origem afegã do meio-campista.

"Isso não pertence ao campo de futebol, não importa o quão emocionais as coisas fiquem", disse Tah. "É a parte mais amarga da noite. Espero que haja consequências", acrescentou.

Amiri disse neste sábado que aceitou um pedido de desculpas do jogador envolvido, sem se referir a Hubner. "Ele veio até mim no vestiário depois do jogo. Houve palavras feias no campo ditas no calor do momento que ele sente muito. Ele me garantiu isso com credibilidade e, portanto, o assunto agora está resolvido para mim", assegurou, em declaração publicada pelo Leverkusen.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Union Berlin se posicionou a favor da investigação da federação alemã e repudiou qualquer forma de preconceito.

"O Union Berlin se distancia completamente do racismo e da discriminação no futebol e na nossa sociedade. Para ser claro: não é aceitável de nenhuma forma", reiterou o clube. Depois das discussões entre os clubes e jogadores, nós agora estamos esperando o resultados das investigações", complementou.

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