Darren Pateman / EFE
Darren Pateman / EFE

Federação Australiana de Futebol iguala salários de seleções masculina e feminina

Igualdade também estará presente nas condições de trabalho oferecidas para homens e mulheres

Redação, Estadão Conteúdo

06 de novembro de 2019 | 20h38

As jogadoras da seleção feminina de futebol da Austrália vão receber o mesmo salário que seus colegas homens. O acordo foi divulgado de forma oficial pela Federação de Futebol da Austrália (FFA, na sigla em inglês) nesta quarta-feira. Elas também terão as mesmas condições de trabalho - viajarão somente de classe executiva para as partidas, por exemplo.

A FFA destina 24% de sua receita comercial (dinheiro advindo de direitos televisivos, vendas de ingressos ou produtos, etc) aos atletas, e agora metade ficará com o time masculino e metade com o feminino, não importando qual arrecade mais. O mesmo vale para as premiações de torneios. A conquista das atletas foi assegurada em uma convenção coletiva assinada hoje que durará pelos próximos quatro anos.

"O futebol é o esporte de todo mundo e esta nova convenção coletiva constitui um passo a mais em direção a adoção de valores de paridade, integração e igualdade de chances", afirmou Chris Nikou, presidente da FFA.

A decisão foi aplaudida pelas jogadoras, como a meiocampista Elise Kellond-Knight, que afirmou ser a realização de um sonho, em entrevista à agência RFI, e pelos membros do time masculino, como o capitão Mark Milligan, para quem as mulheres obtiveram o que merecem. Segundo o diretor-geral da FFA, David Gallop, a igualdade de pagamentos foi possível porque os atletas homens aceitaram dividir a renda com as mulheres.

O debate sobre pagamentos iguais cresceu após a Copa do Mundo Feminina de 2019. Craques da seleção norte-americana, campeã do torneio, Megan Rapinoe e Alex Morgan protestaram contra a desigualdade sobre o que elas recebem e o que os homens ganham. Anteriormente, Rapinoe já havia processado a Federação dos Estados Unidos por causa do tema. Outra atleta que tem uma posição firme no assunto é Ada Hegerberg, uma das grandes craques a nível mundial, que se recusa a jogar pela seleção norueguesa enquanto a igualdade entre homens e mulheres não for estabelecida.

Na Copa do Mundo, a Austrália caiu nas oitavas de final, nos pênaltis, para a Noruega. Elas foram as segundas colocadas no grupo C, que também tinha Brasil e Itália e, na primeira fase, venceram o Brasil por 3 a 2 após sair perdendo por 2 a 0.

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