Kevin C. Cox/ AFP
Kevin C. Cox/ AFP

Federação de futebol dos EUA revisará proibição de se ajoelhar durante hino

Entidade está considerando revogar a regra em meio à onda de indignação contra o racismo

AFP, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 18h29

Em meio à onda de indignação contra o racismo, a Federação Americana de Futebol está considerando revogar uma regra controversa que proíbe seus jogadores de protestarem ajoelhando-se sobre um joelho durante o hino, confirmou um porta-voz da entidade à AFP na segunda-feira (8). 

Pouco depois, o próprio Conselho de Atletas da Federação (US Soccer) e as jogadoras da seleção feminina reivindicaram à federação não só que retire a proibição de fazer o gesto de protesto contra o racismo, mas que também reconheça seu erro e peça desculpas por tê-la promulgado.

Segundo a emissora ESPN, a presidente da federação, Cindy Parlow Cone, pediu que essa regra fosse discutida em uma reunião do conselho de administração convocada para terça-feira. Caso seja revogada, a mudança entraria em vigor imediatamente, mas também terá que ser votada na reunião anual da US Soccer no ano que vem.

A norma estabelece desde 2017 que os jogadores de futebol devem "ficar de pé respeitosamente" durante a execução do hino nacional antes dos jogos de suas seleções. 

Esta decisão foi tomada logo após a estrela da seleção americana e atual vencedora da Bola de Ouro, Megan Rapinoe, se ajoelhar no gramado durante o hino em solidariedade ao jogador de futebol americano Colin Kaepernick.

O quarterback popularizou esse gesto como um ato de protesto contra o racismo e a desigualdade racial nos Estados Unidos, após a morte de vários afro-americanos desarmados em operações da polícia. 

O protesto de Kaepernick, que na época recebeu fortes críticas do presidente Donald Trump e o levou ao ostracismo na NFL, tornou-se um símbolo dos protestos atuais nos Estados Unidos e em outros países contra o assassinato do afro-americano George Floyd por um policial branco de Minneapolis em 25 de maio.

Pedidos de desculpas 

Através de um comunicado, o Conselho de Atletas pediu nesta segunda-feira aos encarregados da federação que revoguem a norma 604-1 como "um começo" para a restauração da atual "falta de confiança" dos jogadores com relação às autoridades do organismo.

"Para que exista uma relação positiva no futuro, acreditamos que a US Soccer deve se desculpar e oferecer uma admissão de má conduta", disse o Conselho em texto assinado por seus vinte membros.

"Então e só então sentimos que um novo capítulo entre a federação e seus atletas pode começar", disse o conselho, do qual fazem parte o ex-jogador internacional Landon Donovan e a estrela da seleção feminina, Alex Morgan.

A Associação de Jogadoras da Seleção Feminina dos Estados Unidos (USWNTA) reforçou, por sua vez, "deve revogar imediatamente a 'Norma do Hino', publicar uma declaração, reconhecendo que a norma era errada quando foi adotada e apresentar uma desculpa a nossas jogadoras negras e torcedores".

"Além disso, acreditamos que a federação deve estabelecer os planos sobre como apoiará agora a mensagem e o movimento que tentou silenciar há quatro anos", destacou a USWNTA.

A Associação informou que enquanto a norma estiver em vigor, "continuará perpetuando as confusões e o medo que ofuscaram o verdadeiro significado e a importância de Colin Kaepernick, Megan Rapinoe e outros atletas, ajoelhando-se".

A seleção feminina e a federação sustentam há mais de um ano um duro pleito judicial, no qual as jogadoras reclamam receber o mesmo que seus colegas masculinos e um pagamento retroativo de 66 milhões de dólares, uma demanda rejeitada por um juiz em primeira instância.

Os protestos imitando o gesto de Kaepernick se espalharam pelo mundo esportivo, da Liga Inglesa de futebol à Alemã, e nos protestos atuais, sendo replicado por manifestantes, policiais e políticos, como o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.