François Guillot/AFP
François Guillot/AFP

Federação Francesa apoia Benzema e pede presunção de inocência

Jogador não foi convocado para compromissos da seleção

Estadão Conteúdo

06 de novembro de 2015 | 11h25

O presidente da Federação Francesa Futebol (FFF), Noël Le Graët, saiu em defesa de Karim Benzema após o atacante do Real Madrid se ver envolvido em um grande escândalo fora dos gramados. Na quinta-feira, o jogador da seleção da França se tornou réu de um processo judicial em um caso de chantagem do qual seu companheiro de seleção, Mathieu Valbuena, é vítima. Ele pode pegar até 5 anos de prisão, de acordo com o canal BMFTV.

Interrogado pela polícia francesa na quarta e na quinta, o atleta confessou ter participado, mas de forma "inconsciente", do esquema que envolve a ameça da divulgação de um vídeo íntimo que o meia do Lyon gravou com sua mulher.

Nesta sexta, porém, em entrevista concedida ao jornal L'Équipe, o presidente da FFF destacou que Benzema precisa ser respeitado e ter preservado o seu direito de presunção de inocência. "Me parece que se condena muito rápido a Benzema", afirmou o dirigente, para depois completar que o astro tem "o apoio esportivo da federação".

Graët citou o jogador como "enorme" por sua importância para a seleção francesa e pediu que respeitem a presunção de inocência do atleta ao lembrar que "um jogador tem os mesmos direitos que um político ou um grande empresário". "Ninguém pode afirmar que ele cometeu um erro", ressaltou o cartola, ao mesmo tempo em que admitiu o fato de que o episódio foi prejudicial à imagem do jogador.

O presidente da FFF afirmou também que as pessoas devem primeiro esperar a Justiça se manifestar sobre o que realmente ocorreu no caso, após o término das investigações e do julgamento do atleta, para depois fazer juízo de valor em relação ao atacante do Real Madrid.

"A França é um país de direito, em que a justiça cumpre muito bem a sua função. Não são os jornalistas, e ainda menos o presidente da Federação Francesa de Futebol, que devem julgá-lo", afirmou, se referindo a si próprio também para assumir uma posição neutra e de solidariedade ao atleta neste caso.

O CASO

Interrogado desde a última quarta-feira, sendo que passou a noite sob custódia da polícia antes de ser liberado apenas na quinta, Benzema reconheceu ao longo da noite de depoimentos que interveio e dialogou com Valbuena a pedido de um amigo de infância, que teria sido abordado por três bandidos que teriam posse de um vídeo sexual. O jogador teria afirmado ainda ter "querido ajudar seu amigo", sem ter a consciência de que estaria participando de um esquema de chantagem contra Valbuena.

No entender da juíza de instrução de Versailles, Nathalie Boutard, o atleta do Real Madrid teria desempenhado o papel de "intermediário" na chantagem, e por isso deve responder à Justiça. Entre outras provas, os vínculos entre as partes teriam sido estabelecidos por seis conversas telefônicas interceptadas e gravadas pela polícia entre junho, quando do início do caso, e outubro, quando a informação veio à tona.

A mesma quadrilha teria sido responsável por outro caso de chantagem, desta vez contra o ex-atacante da seleção francesa Djibril Cissé, que em 2008 teria pago 100 mil euros para se livrar da extorsão. Mas em outubro passado o próprio Cissé foi detido pela polícia para averiguações sobre o caso envolvendo Valbuena.

O advogado de Benzema, Sylvain Cormier, continua a negar a responsabilidade de seu cliente, afirmando que ele "não participou da operação de chantagem" e que, aos olhos da Justiça, continua inocente até que se prove o contrário.

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