Karel Navarro/AP
Karel Navarro/AP

Federação Mineira pede punição ao clube peruano e cita estatuto da Fifa

Presidente da entidade também menciona tratamento nada desportivo dado ao Cruzeiro antes do jogo

O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2014 | 16h33

SÃO PAULO - O presidente da Federação Mineira de Futebol, Paulo Schettino, também repudiou os atos racistas contra Tinga na partida do Cruzeiro com o Real Garcilaso, quarta-feira, pela Copa Libertadores da América. A entidade espera a chegada do Cruzeiro à Belo Horizonte, previsto para a noite desta quinta, para saber que medida a federação poderá tomar na CBF e Conmebol, que organiza o torneio.

Schettino engrosso o coro dos que pedem punição ao clubes peruano. Qualificou as ofensas do torcedores do Garcilaso de "amadoras e criminosas". O dirigente pesquisou as leis do futebol e da Fifa para cobrar punições severas. Citou o Artigo 3º do estatuto da entidade máxima do futebol. "A discriminação de qualquer tipo contra um país, um indivíduo ou um grupo de pessoas por origem ética, gênero, língua, religião, política ou qualquer outra razão está terminantemente proibida e será passível de punição por suspensão ou expulsão."

O presidente da Federação Mineira cobra também a manifestação de todos os envolvidos e responsáveis para que o futebol não seja atingido."Precisamos de um retorno mínimo de todos os envolvidos para que a essência do desporto não seja deixada de lado." Schettino aproveita o episódio para condenar também a forma com que o Cruzeiro foi tratado desde seu desembarque na véspera do jogo. Comentou a falta de estrutura do estádio, com corte de energia durante o aquecimento e no dia anterior ao jogo e a falta de água no vestiário. 

NOTA OFICIAL DA FMF

Infelizmente o que era para ser espetáculo aos poucos perdeu brilho e cor. Antes mesmo do início da partida, Real Garcilaso x Cruzeiro Esporte Clube, válida pela primeira rodada da Copa Libertadores 2014, o Clube Mineiro foi impedido de realizar o reconhecimento do gramado, sendo surpreendido por um apagão, um dia antes de sua estreia na Competição, e justamente no palco do jogo, o Estádio Huancayo.

Tal ato de indelicadeza se agravou no transcurso da estadia de nosso filiado na cidade de Huancayo, no Peru. No dia do jogo, na rodada de abertura da Competição que mobiliza toda a Conmebol, ao final do primeiro tempo, no vestiário da equipe visitante, não havia sequer água para os atletas, nem mesmo nas instalações hidráulicas que funcionavam normalmente antes do jogo.

Os gandulas, profissionais destacados para fazer a reposição de bolas durante os noventa minutos de partida, ficaram visivelmente apáticos após o segundo gol do Real Garcilaso, sem nenhuma orientação do árbitro venezuelano José Argote.

Como se não bastasse, após a entrada do jogador Tinga na etapa final, a torcida peruana em um ato criminoso, emitia sons de racismo e preconceito. É lamentável que em pleno século XXI fatos tão retrógrados ainda aconteçam. E nosso atleta seria por nós apoiado se resolvesse abandonar, juntamente com seus parceiros, o campo de jogo que de repente se transformou no retrato repugnante do retrocesso social.

Nesse contexto, vamos através da Confederação Brasileira de Futebol, da Confederação Sul-americana de Futebol e da FIFA, exigir uma punição exemplar ao time Peruano. Pois não podemos admitir tal comportamento amador e criminoso dentro de uma competição continental, que envolve dez países.

Tratamos a Copa Libertadores como um tesouro que nossos filiados desejam e se planejam para conquistar. Dentro do calendário Nacional, na maioria dos casos, a Libertadores é tratada com prioridade em detrimento de outros torneios não menos importantes em nosso contexto. Precisamos de um retorno mínimo de todos os envolvidos para que a essência do desporto não seja deixada de lado.

"A discriminação de qualquer tipo contra um país, um indivíduo ou um grupo de pessoas por origem ética, gênero, língua, religião, política ou qualquer outra razão está terminantemente proibida e será passível de punição por suspensão ou expulsão."

Assim diz o Artigo 3º do estatuto da FIFA, entidade máxima que comanda o futebol mundial. Aguardamos uma resposta.

Paulo Schettino

Presidente da Federação Mineira Futebol

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