Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Federação Mineira terá de criar 'plano' contra racismo

Ministério Público estadual dá prazo de um mês para FMF apresentar projeto contra crimes de raça em estádios

Marcelo Portela, Agência Estado

17 de março de 2014 | 19h37

BELO HORIZONTE - A Federação Mineira de Futebol (FMF) terá um mês para apresentar ao Ministério Público Estadual (MPE) um "plano concreto de ação" contra atos racistas nos estádios de Minas Gerais. Em reunião realizada na tarde desta segunda-feira, o MPE recomendou ainda que um funcionário da entidade fique encarregado de registrar quaisquer formas de racismo em todos os jogos promovidos no Estado para que sejam aplicadas sanções ao responsável e ao clube em casos em que houver o crime.

As recomendações de adoção de medidas pela FMF para coibir o racismo nas arenas mineiras foi apresentada em reunião entre integrantes da 14ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor e Procon-MG e representantes da entidade que gerencia o futebol mineiro. O encontro foi marcado após um torcedor do Esporte Clube Mamoré ser preso em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba, acusado de agredir o lateral Assis, do Uberlândia, com expressões racistas em jogo no último dia 9 pelo Módulo II do Campeonato Mineiro.

O atleta fazia aquecimento próximo à arquibancada do adversário quando foi xingado com termos como "macaco" e "fedorento". Os próprios torcedores que assistiram às agressões acionaram a Polícia Militar (PM), que conduziu o suspeito para prestar depoimento em uma delegacia. Nas últimas semanas, o volante santista Arouca, o meia Tinga, do Cruzeiro, e o árbitro Márcio Chagas da Silva foram vítimas de agressões racistas.

Segundo o MPE mineiro, foi entregue recomendação à FMF para que seja adotado plano para "lutar contra todas as formas de racismo e discriminação por parte de jogadores, dirigentes, funcionários e torcedores", que um funcionário da entidade registre eventuais "atos potenciais de racismo ou discriminação" para "facilitar a avaliação de evidências" para embasar possíveis processos judiciais e estabeleça nos regulamentos das competições que promover punições para clubes por atos "discriminatórios, desdenhosos ou ultrajantes" praticados por "torcedores, jogadores, funcionários ou dirigentes".

As punições sugeridas pelo MPE à FMF, que pode ser acionada judicialmente para que adote as medidas, vão de multa até exclusão das competições. A federação já confeccionou faixas usadas nos jogos profissionais e amadores e emitiu nota técnica com orientações para procedimentos que árbitros devem adotar em caso de racismo nas partidas.

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