Federação Paulista quer investir na família

Se para alguns dirigentes já passou da hora de adaptar o preço do ingresso à nova realidade do futebol brasileiro, para outros a mudança até é admitida, mas de maneira mais cadenciada. É o caso do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero. "É preciso encontrar um meio termo que não puna os clubes, mas também não prejudique o torcedor", afirmou. Para a temporada 2004, a entidade definiu que, antes de atentar para o lado do "negócio", vai investir no promocional, sobretudo entre as crianças. Uma das novidades para o Estadual é exatamente a criação do "Torcedor Família". Na compra de um ingresso com preço fixado em R$ 20,00, o portador do bilhete poderá levar ao estádio a esposa e três crianças de até 12 anos. Caso tenha mais do que quatro filhos, será necessário comprovar a paternidade na entrada, com a apresentação do documento de identidade. Dessa forma, o preço do bilhete acabaria reduzido a R$ 4,00, o que, em tese, contraria a proposta dos executivos do setor. "Nossa preocupação nesse momento é incentivar a volta das famílias ao estádio. Queremos criar nas crianças o hábito de freqüentar o futebol", explicou Del Nero. O cartola ainda destaca que sua idéia também ajudaria a afastar os torcedores baderneiros do ambiente negativos das organizadas. "Em vez de se juntar a um grupo e ir ao estádio, o torcedor pode ir acompanhado da esposa e dos filhos, situação que, certamente, vai torná-lo mais sensível e menos violento." Sem conversa! - Del Nero destacou que os clubes têm autonomia para alterar o preço dos ingressos durante o Paulista, desde que seja para reduzi-lo. A hipótese de aumentá-lo não chegou a ser discutida. "Só para você ter uma idéia, nós (dirigentes) nem cogitamos essa possibilidade nas reuniões que tivemos para conversar sobre a competição." O presidente da FPF preferiu atribuir a polêmica sobre o preço do ingresso ao contexto macroeconômico do País. "É claro que todos nós gostaríamos que o ingresso custasse 30,00 e que o torcedor pudesse comprá-lo", disse. "Mas precisamos trabalhar de acordo com nossa realidade."

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