Federação testa universitárias como gandulas em jogo da A-2

Seis estudantes universitárias, entre 18 e 29 anos, da Faculdade Barão de Mauá, de Ribeirão Preto, serão as gandulas do jogo entre Comercial e Oeste, nesta quarta-feira, às 20h30, no Estádio Francisco Palma Travassos. A partida é válida pela Série A2 do Campeonato Paulista e será disputada com os portões fechados, por determinação do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), da Federação Paulista de Futebol (FPF). Essa foi a punição imposta ao Comercial pelo incidente ocorrido no clássico contra o Botafogo, no dia 4 deste mês. No final do jogo, o gandula Carlos Márcio dos Reis discutiu com o goleiro botafoguense Marcão e desferiu no jogador um golpe com barra de ferro retirada de uma placa de publicidade do campo. Reis foi suspenso por dois anos da função.As universitárias são alunas dos cursos de Eventos e de Turismo e, como a decisão de optar por mulheres ocorreu só no final da tarde de segunda, Alves Júnior fixou um cartaz com informações só na Barão de Mauá. A intenção, porém, é dar oportunidades a alunas de outras instituições. Mais de 20 garotas, consideradas "imparciais" e "não fanáticas", telefonaram para Alves Júnior e o critério de escolha inicial foi por ordem de ligação. ?O critério que deveremos adotar é ter condicionamento físico, não por beleza?, diz Alves Júnior. ?Vamos dar chances para todas, pois essa é uma forma de inclusão da mulher no futebol.?As gandulas irão usar camisetas rosa, confeccionadas às pressas. Paula Martins Soares, de 19 anos, de Cássia (MG), que cursa o segundo ano de Turismo, foi a primeira a ligar para Alves Júnior. ?Fiquei sabendo disso por uma professora?, diz ela, que não revela para qual time torce, mas diz que não é fanática. Paula quis ser gandula pelo dinheiro - R$ 40 por jogo - e pela própria curiosidade de nunca ter visto uma partida. ?Acho que é válida a experiência, pois nenhuma profissão deve ser feminista ou machista?, afirma. A expectativa da FPF é que a experiência dê certo e possa ser estendida a outros estádios. A entidade indicaria as gandulas, pagas pelos clubes, que geralmente contratam brutamontes para dar rapidez ou retardar os jogos, de acordo com a situação ou conveniência.

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