Feiúra paulista

Equipes do Estado não têm bom desempenho no sábado do Brasileirão

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2016 | 05h00

Feio é adjetivo para definir o futebol mostrado pelo quarteto paulista que entrou em campo na tarde deste sábado, na abertura da 28.ª rodada do Brasileiro. A variação ficou para os resultados: Corinthians e Ponte perderam e veem G-4 com luneta; o São Paulo arrancou empate com Flamengo que não ajudou a vida de nenhum dos dois; o Santos bateu o Atlético-PR e tem o consolo de ainda sonhar, mesmo remotamente, com o título.

O Palmeiras assistiu de camarote e na noite de segunda-feira visita o Santa Cruz, sob secagem geral. Se o líder voltar de Recife sem os três pontos, a briga pela taça vai manter-se bem aberta, com chances para até cinco equipes. O próprio Palmeiras, no momento com 54 pontos, assim como o Flamengo, são os principais concorrentes. O Atlético-MG, com 52, faz sombra enorme (e recebe a dupla em BH). O Santos, com 48, e o Fluminense, com 46, tratam de acelerar. Como restam 30 pontos em disputa...

Maus tratos no Morumbi. São Paulo e Flamengo não cuidaram bem da bola, no clássico de grandes acumuladores de conquistas da Série A e jamais rebaixados. O duelo foi intenso, faça-se justiça. A turma tricolor esforçou-se e o pessoal rubro-negro buscou a todo custo passar o fim de semana na liderança.

O problema parou na qualidade do espetáculo – tecnicamente fraco, sovina de emoções, cinza carrancudo como o clima da cidade nos últimos dias. O público de quase 30 mil pagantes suspirou com dois lances, apenas, e já na metade do segundo tempo. O primeiro, numa cabeçada de Leandro Damião na pequena área. O outro, em finalização de Chavez na cara do gol, aparada por Muralha. E nada além disso.

Os são-paulinos tiveram o mérito de não perder, o que havia ocorrido seis vezes na última dúzia de jogos. Hudson, Rodrigo Caio e companheiros brecaram o Fla, mas de forma insuficiente para mascarar as limitações de um grupo que não deve amargar a Série B (há concorrentes piores), mas precisa passar por reforma ampla para 2017.

O Flamengo deu demonstração de que possui fôlego para morder os calcanhares do Palmeiras, porém não é a sétima maravilha da natureza incensado aqui e ali. Também lida com fraquezas e oscilações, prova de que não existe um supertime no futebol de cá.

(Depois, parece que o Palmeiras, na ponta há muito tempo, com melhor ataque e uma das defesas mais sólidas, se destaca por pura sorte. E, sob certos escrutínios, estaria em crise. Ora, o futebol e seus mistérios e critérios...)

Vestiu azul... O Corinthians enfiou-se num uniforme azul dégradée todo estiloso e atrevido, para topar com o Botafogo, no Rio, e se esqueceu do futebol. Outra vez. Não foi por acaso que sofreu a 11.ª derrota, contrabalançadas por 12 vitórias e 5 empates. Sequência ruim se sucede e leva ladeira abaixo na classificação. Fabio Carille não obtém mais sucesso do que o antecessor e demitido Cristóvão Borges, e assistiu ao time ser engolido por adversário modesto e entusiasmado.

Ao Bota, bastou o primeiro tempo. Ao Corinthians, falta tudo, em especial do meio-campo para a frente. Daqui em diante deve contentar-se em ser apenas figurante e torcer para não sair ao menos do G-10 (!).

O poder da Vila. O Santos se vangloria da mística da casa na Baixada. Pois pode creditar a ela – e a um lance duvidoso – a vitória por 2 a 0 sobre o Furacão. A partida esteve complicada para Dorival Júnior e seus pupilos até o pênalti marcado em Vecchio, na etapa inicial. O gol facilitou a tarefa, sem aprimorar o rendimento santista, que já esteve bem melhor. Dorival elogiou o time.

Desencanto em Campinas. Como mandante, a Ponte aporrinhou muito tubarão neste ano. Na hora de firmar-se, brecou diante do Atlético-MG. A derrota por 2 a 1 – e contestada – faz diminuir a perspectiva de cavar lugar na Libertadores do ano que vem. Resta pequena esperança.

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