Felipão acaba com mistério na Seleção

Ao contrário do costume que adotava em clubes, o técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari, não fez mistério e divulgou, hoje, a escalação do Brasil para o jogo com o Uruguai, domingo, pelas eliminatórias do Mundial de 2002. A formação escolhida pelo treinador, que venceu os reservas por 4 a 1 no último coletivo antes do jogo, é mais ofensiva do que a pretendida por ele inicialmente. Isto porque o técnico trocou o volante Fábio Rochenback pelo meia Juninho Paulista. A seleção viajou, hoje, para Montevidéu. Ainda garantiram vagas entre os titulares o atacante Élber e o zagueiro Cris. Scolari anunciou a escalação com: Marcos; Antônio Carlos, Cris e Roque Júnior; Cafu, Emerson, Juninho Paulista, Rivaldo e Roberto Carlos; Élber e Romário. Embora a seleção conte com três zagueiros, o esquema é alterado conforme as circunstâncias da partida. Quando o Brasil tem a posse da bola, Roque Júnior se torna um volante e tem liberdade para avançar. Scolari admite que a equipe que enfrenta o Uruguai não era "a que tinha imaginado" quando fez a convocação. As mudanças, no entanto, foram inevitáveis por causa das contusões de Mauro Silva, Euller e Lúcio, os dois últimos já recuperados. Machucado, o zagueiro do Bayer Leverkusen perdeu a posição para Cris porque não pôde treinar durante alguns dias. Também por causa de uma contusão, Euller perdeu a disputa de uma vaga para Élber. Já a entrada de Juninho Paulista, em lugar de uma volante, foi resultado das observações de Scolari durante os coletivos. "Ele tem habilidade para trabalhar a bola e o time está chegando bem com dois ou três jogadores de qualidade. Assim, podemos definir a partida", analisou. Ainda deve ter pesado na decisão do treinador os elogios de Romário ao companheiro do Vasco. "Ele fala isso porque é meu parceiro", disfarçou Juninho. Durante os 60 minutos de coletivo hoje, a escolha de Scolari demonstrou-se acertada. Depois de um início morno, que resultou em repreensão do treinador, os titulares conseguiram criar várias jogadas pelas laterais e chegaram aos quatro gols, dois deles de Romário. Priorizar os lances pelo lado do campo, para fugir à marcação uruguaia, foi um pedido constante do técnico. "Tá vendo, o Baixinho fez um gol mesmo com um metro e meio de altura", elogiou Scolari, após o primeiro gol de Romário, de cabeça, em cruzamento de Roque Júnior. Na defesa, a preocupação de Scolari foi acertar o posicionamento dos zagueiros e treiná-los para combater a principal jogada uruguaia: "a bola longa". Pelo esquema implantado pelo treinador, não há um líbero, como último marcador fica o zagueiro que estiver no lado oposto ao da bola. Quanto à "bola longa", a orientação é para impedir que os uruguaios que vierem do meio-de-campo tenham condições de concluir. Rochenback, poupado por causa de uma entorse, e Dida, com amigdalite, não treinaram, mas poderão entrar durante a partida.

Agencia Estado,

29 de junho de 2001 | 18h04

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