Felipão alerta que o Brasil tem de ser menos 'cordial' com os rivais

'A gente não precisa ser apedrejado todos os dias, por técnicos, jornalistas de outros países', desabafa o técnico após vitória

Leandro Silveira, Agência Estado

28 de junho de 2014 | 17h57

O técnico Luiz Felipe Scolari alertou neste sábado que os brasileiros, incluindo ele, devem ser menos "cordiais" com os adversários na Copa do Mundo. Além disso, voltou a reclamar de supostos erros cometidos pela arbitragem, desta vez no jogo contra o Chile, pelas oitavas de final, vencido por 3 a 2 na disputa de pênaltis após empate por 1 a 1, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

Na saída do intervalo da partida deste sábado, um desentendimento entre Fred e o chileno Gary Medel desatou uma confusão entre os bancos de reservas das duas seleções. E a situação foi comentada por Felipão em sua entrevista coletiva após a classificação do Brasil.

"Discutimos depois do jogo. Estamos sendo cavalheiros, cordiais e educados demais com os estrangeiros. Está na hora de mudar um pouco, a gente não precisa ser apedrejado todos os dias, por técnicos, jornalistas de outros países. Temos que nos defender. Talvez eu tenha que voltar ao meu estilo. Não sei se você me conhece, é um pouco agressivo. Estamos sendo muito educados. Não estou conseguindo aguentar", disse Felipão.

Diante do Chile, a seleção teve um gol anulado pela arbitragem porque o inglês Howard Webb considerou que o atacante Hulk conduziu a bola com a mão. Para o treinador, os juízes estão tomando decisões contrárias ao Brasil em lances considerados duvidosos durante a Copa por, supostamente, estarem com medo de errar a favor da seleção.

"Gostaria de salientar o que meus jogadores têm me falado. Eles estão apreensivos com o que acontece, tudo que está errado, dizem que é o Brasil. Mas não é isso, na dúvida, em pênaltis, gols, todos estão reticentes com o Brasil. Não pode ser só contra o Brasil. Não sei se seremos campeões, mas tem que ser igual para todos. Pênalti é pênalti, gol é gol, falta é falta", afirmou.

As reclamações sobre a arbitragem são recorrentes nos jogos do Brasil nesta Copa. Elas começaram no jogo de abertura, com o pênalti a favor da seleção, marcado em Fred. Felipão também fez referência direta a uma falta dura sofrida por Neymar logo no começo da partida, que não rendeu uma advertência aos adversários. "Não entendemos como aquele lance não rendeu cartão", reclamou.

O treinador da seleção também criticou uma suposta passividade da arbitragem com o atacante chileno Alexis Sánchez, que teria simulado faltas. "O Sánchez teve 15 faltas marcadas. Ele simulou em 12", comentou.

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