Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Felipão causa polêmica: 'Não quer pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, num escritório'

Treinador fala da pressão de se jogar na seleção e é repudiado pelos funcionários da categoria

O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2012 | 17h49

SÃO PAULO - O técnico Luiz Felipe Scolari assumiu a seleção brasileira na manhã desta quinta-feira e já entrou em polêmica. Durante a coletiva de imprensa que concedeu na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o treinador falou sobre a pressão sofrida pelos jogadores da equipe nacional e fez uma comparação com outros segmentos. "Se não quer pressão, é melhor não jogar na seleção. É melhor ir trabalhar no Banco do Brasil, num escritório."

A declaração pegou mal. Tanto o Banco do Brasil quanto o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região divulgaram nota em que repudiam a fala do novo técnico da seleção.

O Sindicato informou ter enviado uma carta para a CBF em que pede a retratação do técnico. No texto, a entidade destaca que "os bancários do Banco do Brasil, como os de todos os outros bancos no País, estão entre as categorias que mais adoecem, atingindo níveis epidêmicos, em função da pressão e do assédio moral que sofrem nas agências e departamentos de instituições financeiras."

Já o Banco do Brasil "lamenta o comentário infeliz do técnico (...) e afirma que se orgulha por contar com 116 mil funcionários que todos os dias vestem a camisa do Banco, com as cores do Brasil, e trabalham com dedicação e compromisso para atender com excelência às necessidades de nossos clientes e do nosso País." A instituição financeira também fez questão de ressaltar que é patrocinadora do vôlei brasileiro há mais de 20 anos e espera que o sucesso da modalidade olímpica inspire a equipe a seleção de futebol, que conquistou sua última Copa do Mundo em 2002.

Confira a íntegra das notas:

"O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região vem por meio desta expressar sua indignação diante da manifestação feita pelo senhor, como técnico da Seleção Brasileira de Futebol. Ao dizer que "se não quer pressão é melhor não jogar na seleção, vão trabalhar no Banco do Brasil, num escritório", demonstrou total desconhecimento de causa. Os bancários e o Sindicato sentiram-se desrespeitados pela sua frase, que de forma alguma espelha a realidade do setor, e esperam sua retratação.

Convidamos o senhor a conhecer o trabalho bancário, os funcionários do Banco do Brasil, as agências com longas filas, o ritmo alucinante que faz parte do cotidiano dos trabalhadores de instituições financeiras no nosso país.

Os bancários do BB, como os de todos os outros bancos no país, estão entre as categorias que mais adoecem, atingindo níveis epidêmicos, em função da pressão e do assédio moral que sofrem nas agências e departamentos das instituições financeiras. O modo de gestão dos bancos, que cobra metas abusivas para a venda de produtos e serviços, causa aos trabalhadores do setor doenças como depressão, estresse, síndrome do pânico. Assediados moralmente com a possibilidade de demissão caso não atinjam essas metas, muitos padecem porque precisam do emprego para sobreviver.

O Sindicato mantém luta cotidiana incessante para mudar esse quadro. Inclusive renovou esta semana um acordo com os bancos no sentido de combater o assédio moral que resulta de toda essa pressão.

Encerramos, desejando ao senhor técnico, sorte à frente da seleção e bom desempenho a todos os profissionais na Copa de 2014, trazendo à nação todo orgulho que o Brasil merece".

"O Banco do Brasil, junto com todo o povo brasileiro, deseja boa sorte ao técnico Luís Felipe Scolari em seu novo desafio à frente da Seleção, e torce para que as grandes conquistas do vôlei brasileiro, patrocinado pelo BB há mais de 20 anos, inspirem o trabalho da Seleção.

Entretanto, o Banco do Brasil lamenta o comentário infeliz do técnico Luis Felipe Scolari e afirma que se orgulha por contar com 116 mil funcionários que todos os dias vestem a camisa do Banco, com as cores do Brasil, e trabalham com dedicação e compromisso para atender com excelência às necessidades de nossos clientes e do nosso País.

Para a família BB, planejamento, respeito e organização são os segredos para uma estratégia de sucesso que transforma a pressão do dia-a-dia em motivação para as conquistas e para o apoio ao desenvolvimento do Brasil."

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