Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Felipão critica Fifa por dar brecha para jogadores se naturalizarem

Técnico da seleção brasileira teme que seleções se transformem em time de atletas contratados

AE, Agência Estado

26 de setembro de 2013 | 15h48

RIO - O técnico Luiz Felipe Scolari afirmou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva no Rio, que não fala sobre jogadores "não convocados" ao justificar listas de atletas chamados para defender a seleção brasileira. Porém, ao ser questionado sobre a possibilidade de o atacante Diego Costa, do Atlético de Madrid, se naturalizar espanhol e defender a seleção de Vicente del Bosque, o treinador não poupou a Fifa ao comentar uma brecha existente no regulamento da entidade para que esse tipo de prática seja permitida.

A imprensa da Espanha noticiou nesta semana que a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) deseja naturalizar Diego Costa para que ele possa defender a seleção do país. Não incluído nesta quinta na lista de jogadores convocados para defender o Brasil nos amistosos diante de Coreia do Sul e Zâmbia, no próximo mês, o atleta tem cidadania espanhola e já foi chamado por Scolari para amistosos contra Itália e Rússia, mas a Fifa só impede que um jogador defenda mais de um país caso ele tenha disputado uma competição oficial pela sua seleção natal, o que não ocorre com o jogador brasileiro.

Felipão, porém, acredita que a participação em amistosos também deveria servir como motivo para que um jogador não pudesse defender mais de uma seleção. "Minha opinião sobre esse aspecto de naturalizar jogador é o de que a Fifa provavelmente esteja voltando às regras de 1930, 1940 ou 1950, quando Mazzola jogou por Brasil e pela Itália. Isso também aconteceu com outros jogadores, como Di Stéfano, Preguinho e Puskas", disse o comandante, para depois ser irônico ao comentar possíveis futuras naturalizações aprovadas pela Fifa.

"Acho estranho porque daqui um ano, dois anos ou 5 anos provavelmente um país contrate 20 jogadores e faça uma seleção. Porque o cara pode jogar um, dois ou cem amistosos por uma seleção, mas fazer a 101.ª partida por outro país em uma competição oficial. A Fifa reconhece isso, mas eu acho estranho e não sou eu que estarei discutindo isso com a Fifa", completou.

CONVOCADOS - Curiosamente, Felipão falou mais sobre este assunto do que especificamente sobre os convocados para os amistosos do próximo mês nesta quinta. Ao comentar as principais novidades da sua lista anunciada nesta quinta, ele se limitou a dizer que "Dedé vem jogando bem, Victor para nós é uma novidade e Lucas Leiva é um jogador que a gente vai ter que avaliar".

O único citado com maior destaque entre os convocados foi Neymar, muito elogiado pelo seu bom início de trajetória com a camisa do Barcelona. "O Neymar vem jogando muito bem. A chegada do Neymar ao Barcelona deu um poderio ao Barcelona muito maior do que ele já tinha. O Neymar está mostrando que é um dos melhores do mundo jogando pelo Barcelona", ressaltou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.