Felipão dá largada rumo à Copa

Em um clima de mobilização cívica para garantir a classificação do Brasil à Copa do Mundo de 2002 do Japão/Coréia, começa nesta segunda-feira "a era Felipão" na seleção brasileira. Depois de ter adiado em oito meses a sua resposta positiva à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Luiz Felipe Scolari inicia o seu trabalho diante de um desafio: preparar, na Granja Comary, a equipe para o jogo com o Uruguai, no dia 1º de julho, pelas eliminatórias. O próprio treinador considera a partida decisiva na campanha do Brasil rumo ao Mundial. Com o Dedo de Deus - montanha da Região Serrana do Rio - ao fundo, serão 12 dias de treinos para Scolari preparar a equipe para jogar com o sistema tático com líbero, como ele deseja. "Vou tentar trabalhar nestes dias, dentro deste sistema. Prefiro ver a reação dos jogadores durante os coletivos antes para ver o que acontece", explicou. O seu time base deve ser Marcos, Antônio Carlos, Lúcio e Roque Júnior, Cafu; Mauro Silva, Emerson, Rivaldo e Roberto Carlos; Romário e Euller (Giovanni). Os dez jogadores que atuam em clubes brasileiros se apresentam nesta segunda-feira, às 9 horas, no Aeroporto Internacional do Rio/Galeão. Viajam em seguida para a Teresópolis, onde Scolari vai comandar o seu primeiro treinamento à tarde. Apenas na quarta-feira, chegarão à Granja os atletas de clubes estrangeiros, que compõem a maior parte do grupo brasileiro. A única ausência pode ser o meia Rivaldo, que o Barcelona só admite liberar no dia 25, após as partidas do time pela Copa do Rei.O mesmo dia marcará a volta de Ronaldo à seleção, embora ainda sem poder jogar. Convidado por Scolari, o atacante da Inter de Milão irá treinar junto com outros jogadores. Junto com Ronaldo, estarão o preparador físico Cláudio Gaudino e o fisioterapeuta Nilton Petrone. Reintegrar o atacante à seleção e dar motivação ao restante dos atletas são as justificativas de Scolari para ter chamado atacante.Outro atleta de prestígio pode ir à Granja: o tenista Gustavo Kuerten, o Guga. Convidado pela CBF, ele ainda não confirmou se aceita a proposta. O convite a Guga faz parte da estratégia de reaproximar o público, descrente, da seleção. "Quero resgatar o carinho do público com a seleção", afirma Scolari, que citou o tenista em várias de suas entrevistas.Em campo, o reflexo da postura de Scolari será traduzido por um time jogando com vontade, experiência e malandragem. Ciente da pressão que a equipe brasileira sofrerá em Montevidéu, o treinador quer que a seleção adquira as características que marcaram a equipe em que trabalho, como o Grêmio, Palmeiras e o Cruzeiro. Mas garante que isto não significa violência. "Nunca pedi para dar pontapé, apenas para jogar de forma viril." Ao estilo de futebol duro, típico do Rio Grande do Sul, onde nasceu, Scolari pretende incorporar o futebol mais "vistoso", que tanto espera o público. "Temos de dar um pouco a mais do que só o objetivo", observou.Para isso, Scolari conta, principalmente, com Rivaldo e Romário. Recuperado de uma contusão, o atacante vascaíno voltou a treinar com bola na semana passada. Segundo os médicos do clube, ele teria condições de jogar a partir de quarta-feira. O treinador espera recuperar Rivaldo, que é visto como peça fundamental, para a seleção.Embora prometa um futebol de maior qualidade, Scolari ressalta que a prioridade é a classificação ao Mundial. E, para isso, um vitória contra o Uruguai é importante, em sua avaliação. "Se vencermos, precisaremos de mais cinco pontos", diz. O Brasil terá ainda cinco partidas pelas eliminatórias: Paraguai, Argentina, Chile, Bolívia e Venezuela. A árdua tarefa de Scolari será acompanhada por todo o público, que apoiou a escolha de seu nome. A pressão e as cobranças, como reconhece o treinador, é inevitável. A partir desta segunda, se saberá como o gaúcho Felipão vai lidar estes ingredientes.

Agencia Estado,

18 de junho de 2001 | 08h56

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