Evelson de Freitas/AE - 24/08/2011
Evelson de Freitas/AE - 24/08/2011

Felipão está desanimado com Palmeiras para 2012

Andamento das negociações de reforços para próxima temporada deixa técnico tenso

Daniel Batista e Luís Antônio Prósperi, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2011 | 00h20

SÃO PAULO - Luiz Felipe Scolari entra hoje de férias preocupado, já que a promessa da diretoria do Palmeiras era de um time forte para 2012, mas tudo caminha para uma situação bem diferente. Em entrevista exclusiva ao Estado, o treinador não esconde a frustração com o andamento das negociações de reforços, pede nova postura da diretoria, mas garante que não vai pedir demissão.

Você acha que vão vir os grandes reforços prometidos?

Pelo jeito as coisas não estão acontecendo. Até agora só tenho o Juninho. Prometi que não vou me envolver em negociações. Para isso, temos diretor de futebol, vice e presidente. Se for participar de negociação, vai voltar a ser como foi o ano inteiro e não quero mais sofrer. Amanhã (hoje) viajo e quando voltar, vou trabalhar com o que tiver na mão.

Vai aceitar nomes que não estão na lista que você pediu?

Para vir jogador que eu não pedi, que sejam iguais aos que eu tenho aqui, prefiro ficar com os que estão no Palmeiras. Pelo menos já trabalho com eles. Não quero apostas. Se a diretoria não conseguir trazer jogadores experientes, quero que ela passe isso para a torcida, como estou fazendo com vocês. Do jeito que está, não mudou nada em relação a como terminamos o ano. Saiu o Gabriel Silva e veio o Juninho. Se vier os nomes, poderemos brigar de igual para igual com qualquer time.

Então não é para a torcida criar espectativas?

Se a diretoria for buscar nomes mais fáceis para não gastar o valor necessário, não vou falar para a torcida que esse ano será diferente. Vou dirigir o time e pronto. E tem outra. Outros times vêm atrás dos meus jogadores e chegam oferecendo qualquer coisa, como no caso do Pierre. O Atlético quer que ele fique, mas está oferecendo jogadores que não interessam para eles. Assim não quero papo. Quero dinheiro para contratar ou jogadores bons que têm lá.

Ano que vem completam 10 anos do pentacampeonato com a seleção. Não é ruim você celebrar essa data nessa situação?

Nesse momento da minha vida, vejo o resto do que foi planejado e meu lado pessoal preenche um pouco a frustração do profissional. Não olho as coisas só pelo futebol. O lado pessoal conta também e isso faz com que eu tenha mais paciência no futebol. E quando você vê um jogador do seu time evoluir é especial. O Gabriel Silva, por exemplo, não era nem titular quando eu cheguei e hoje está indo embora para a Udinese. O Vinicius também evoluiu.

Não pensa em demissão?

Tem duas coisas. Eu fiz uma carta dando liberdade para o Palmeiras me tirar sem qualquer multa e não tiraram. Agora, depois de todo o trabalho que me foi solicitado, eu não vou pagar multa para sair. Já recusei umas 30 propostas e cinco delas topariam pagar a multa. Não quis sair. Então agora fico até o fim. Vejo todos os dias que a diretoria está tentando, mas dos 12 que eu pedi, uns sete ou oito todo mundo quer e oferecem salários estratosféricos.

Por que o Palmeiras não adota a mesma tática?

A diretoria está administrando a situação financeira. Acho engraçado quando vejo o Andrés Sanchez dizer que não paga X por um técnico ou por jogador. Ele paga duas vezes mais do que fala. Sei porque tentamos contratar dois jogadores que foram para lá recebendo duas vezes mais do que oferecemos.

Não aceitaria dirigir um time na Libertadores em 2012?

Disputar a Libertadores é ótimo, mas se eu ganhar um Campeonato Paulista pelo Palmeiras, pelas dificuldades que temos, vai ser como se fosse umas cinco Libertadores.

Se vierem os reforços pedidos, promete título?

Se vier uns três ou quatro, que me deem sustentação para todos os jogos, posso lançar os mais novos e todos saem ganhando. Ano que vem a cobrança será maior. Indiquei o Luis Caballero, do Olímpia, mas em cima da hora, o clube paraguaio pediu mais e o Palmeiras desistiu do negócio. Precisamos de jogadores que não vão sentir a pressão. Me falaram do Osvaldo, do Ceará, eu não quero. Já tenho outros jogadores para a posição. Falam que o Palmeiras quer ele para valorizá-lo.

Sobre a saída de Kleber. Acha que errou em alguma coisa?

Sim. Em 2012, se surgir qualquer proposta por A ou B vou mandar vender. Se não vender, empresário arrebenta o meu time. Na ocasião, eu bati o pé porque estávamos jogando bem, tudo organizado e tentei junto do presidente montar uma situação para ele ficar, mas o jogador resolveu sair. Agora não vou mandar segurar ninguém.

O que espera do Valdivia?

Ele está 95% bem fisicamente. O problema é que ele precisa estar em paz com as lesões e com ele próprio. Se conseguir isso, vai jogar o que sempre jogou. Pode ver que os problemas extracampo são sempre no Chile. No Brasil não acontece nada. Acho que ele pode ser decisivo ano que vem.

Tem esperança de que as polêmicas vão diminuir em 2012?

Não vejo a hora dos prédios (da administração) na Arena ficarem prontos, em abril. O problema é que hoje as reuniões são no CT, então fica todo mundo junto. Ano que vem é cada um no seu prédio. Vai melhorar. Peço pelo amor de Deus para não atrasarem as obras. Se precisar, ajudo colocando um tijolinho.

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