Felipão quer seleção ao estilo Guga

O novo técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, anuncia nesta quarta-feira, às 11 horas, no hotel Meridien, no Rio, a lista dos jogadores convocados para o jogo do Brasil com o Uruguai, dia 1º de julho, pelas Eliminatórias da Copa de 2002. Ao contrário de seus antecessores, que chamaram dezenas de atletas enquanto estiveram comandando o time do Brasil, ele pretende, ao longo de sua trajetória no cargo, trabalhar com um grupo base formado por "30 ou 32" jogadores.Felipão não falou em nomes, mas deixou claro que vai convocar Romário, ao reconhecer que a "participação técnica" do atacante do Vasco consegue suprir suas dificuldades de marcação e de se entender com os colegas em campo.O treinador garantiu que o Brasil se classificará para a Copa e que ainda há tempo para a seleção "voltar a ser a primeira em futebol". Felipão disse que terá autonomia total no seu trabalho e que não irá acumular o cargo com o de técnico do Cruzeiro.O sucessor de Emerson Leão deu sua primeira entrevista coletiva como técnico da seleção na residência alugada pela CBF em Brasília, após ter seu nome confirmado oficialmente pelo presidente da entidade, Ricardo Teixeira. Felipão prometeu "mudar a cabeça do jogador de futebol brasileiro", por entender que sobra profissionalismo neles, mas falta um pouco de amadorismo. "Quem quer, vestirá a camisa, quem não quer, ficará fora", explicou. Segundo ele, o volante César Sampaio, hoje no futebol espanhol, é um exemplo de como se joga futebol profissional com amor.Seu primeiro ato como técnico da seleção foi o vestir o agasalho azul da equipe. O gesto foi entendido como o fim do procedimento adotado por seus antecessores, Luxemburgo e Leão, que entravam em campo trajando terno. É o início de uma outra fase da seleção. Felipão afirmou que o uso do agasalho é para ele uma maneira de se identificar com os atletas, os patrocinadores e o público.Apesar de não ter adiantado nenhum nome de lista que será divulgada nesta quarta-feira, Scolari revelou o perfil dos jogadores com quem ele deseja trabalhar: "vencedor e que tenha o espírito de união e de brasilidade". O treinador citou como exemplo o tenista Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros. "Perfil de derrotado não adianta nada", frisou. Felipão revelou que Guga tem tudo aquilo que um jogador de futebol precisa mostrar. "Ele define estratégias, tem carisma, demonstra amor, gosta do que faz", exemplificou. "Precisamos mostrar aos torcedores que nós gostamos deles."Equipe - Também ficou para esta quarta-feira o anúncio da nova comissão técnica. Por ora, só está confirmada a permanência do coordenador técnico Antônio Lopes, de quem Felipão diz ser "amigo de longa data".O novo treinador negou ter conversado sobre salário com Ricardo Teixeira, garantido que esse assunto é o que menos lhe interessa. Felipão contou que sua conversa com o presidente da CBF ficou restrita às questões que devem ser solucionadas antes do jogo com o Uruguai. Segundo ele, o dirigente concordou com a sugestão de apresentar o primeiro grupo de jogadores dia 18 e de adiar a apresentação dos atletas "estrangeiros" para o dia 20, o que lhes permitiriam concluir a temporada na Europa.Teixeira - Ao lado de Felipão durante a entrevista coletiva, o presidente da CBF restringiu ao máximo suas declarações. Afinal, a maior parte das perguntas que lhe foram feitas eram sobre as acusações contra que ele e a entidade presentes no relatório da CPI da CBF/Nike.Ricardo Teixeira aproveitou para explicar que gostaria de ver uma seleção de "jogadores experientes, lutadores" e que esperava isso do time com Felipão no comando. O técnico disse que entendia o pedido do dirigente e prometeu um grupo de atletas que "não caiam em armadilha, que não sejam bobos. É o correto no futebol. Anjinhos só no céu."

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