Felipão rebate acusações de 'chororô' feitas por Del Nero

Felipão rebate acusações de 'chororô' feitas por Del Nero

Treinador do Grêmio, que ficou fora da Libertadores, defende categoria e cobra profissionalização de outros cargos do futebol

O Estado de S. Paulo

03 de dezembro de 2014 | 20h30

Luis Felipe Scolari respondeu publicamente ao próximo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, após ser acusado de fazer "chororô' em relação às vagas da Copa Libertadores de 2015. O ex-treinador da seleção brasileira disse que a entidade máxima do futebol brasileiro não é uma empresa e, sim, uma entidade que tem como obrigação ajudar o futebol brasileiro e que não tem fins lucrativos.

"Eu disse em entrevista coletiva e está gravado, que não interessa a quem administra o futebol como empresa, ter duas equipes do sul e duas de Minas classificadas para a Libertadores. Em nenhum momento, citei a CBF. Só prestar atenção no que eu disse. Pois, se não ouviu, era melhor não emitir opinião", disse Felipão.

A polêmica começou quando o treinador do Grêmio reclamou de um suposto pênalti não marcado para sua equipe contra o Corinthians no último dia 23. Na ocasião, o técnico disse que "já estavam escolhidas as equipes da Libertadores".

Em entrevista à Rádio Globo, Del Nero lamentou a atitude do ex-comandante da seleção brasileira na Copa de 2014: "Ele nos conheceu, conheceu a CBF, sabe como se trabalha. É um chororô do senhor Luiz Felipe, que lamentavelmente expôs o que não deveria."

O dirigente ainda se mostrou magoado com as acusações, ressaltando que o treinador tem conhecimento sobre como a entidade atua no futebol do País. "Um homem que viveu a CBF e conhece o perfil do presidente e do vice-presidente não deveria ter falado isso. Ele não poderia reclamar porque não viu nada de errado e nós não fizemos nada de errado. Futebol é jogado seriamente. Arbitragem erra, mas erra menos que os jogadores. Ele deveria treinar melhor os jogadores do que reclamar da CBF, de qualquer setor dela".

Ao tomar conhecimento das declarações, Felipão se explicou dizendo que o grande mercado financeiro está em São Paulo e Rio de Janeiro. Em outro trecho da nota enviada para a imprensa, o treinador também respondeu a Del Nero sobre a suposta falta de qualificação dos treinadores que atuam no Brasil. Segundo ele, a reciclagem desses profissionais ocorre no futebol brasileiro. Isso, no entanto, não ocorre nos outros setores. "Há sempre esta disposição dos treinadores. Mas seria bom que todos os setores do futebol brasileiro pudesse se reciclar e buscar melhorias de fato. E não só no discurso."

A procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) convocou o Luiz Felipe Scolari para "esclarecimentos" depois de o treinador afirmar que já estava "ensaiado" que o Corinthians seria absolvido no Pleno do STJD pela acusação de ter escalado irregularmente o volante Petros em duas partidas do Brasileirão.

Com 60 pontos e três derrotas consecutivas no Brasileirão, o Grêmio de Felipão é sétimo colocado do campeonato e não tem mais chances de conseguir uma vaga na Libertadores. O rival Internacional conseguiu garantir presença na competição ao vencer o Palmeiras por 3 a 1 no Beira-Rio.

Felipão deixou o comando da seleção brasileira após a Copa do Mundo. O Brasil não conseguiu conquistar o hexacampeonato ao perder para a Alemanha por 7 a 1 na semifinal da competição disputada no Brasil. O treinador esteve à frente da equipe brasileira por 18 meses e conquistou a Copa das Confederações. Na primeira passagem pela equipe, entre 2001 e 2002, Felipão conseguiu levar a seleção à Copa após dificuldades enfrentadas nas Eliminatórias. No Mundial do Japão e da Coreia do Sul, conquistou o título.

NOTA DE FELIPÃO

Eu disse em entrevista coletiva e está gravado, que não interessa a quem administra o futebol como empresa, ter duas equipes do sul e duas de Minas classificadas para a Libertadores. Em nenhum momento citei a entidade CBF. Que eu saiba, a Confederação Brasileira não é uma empresa e sim uma entidade que tem como obrigação ajudar o futebol brasileiro e que não tem fins lucrativos. Eu afirmei que não há interesse para a empresa porque visa lucros e o grande mercado financeiro está em São Paulo e Rio de Janeiro. É só prestar atenção no que eu disse. Pois se não ouviu era melhor não emitir opinião. Quanto ao técnicos brasileiros se reciclarem, há sempre esta disposição dos treinadores. Mas seria bom que todos os setores do futebol brasileiro pudesse se reciclar e buscar melhorias de fato. E não só no discurso.

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