Felipão rejeita lobby pró-Romário

O técnico Luiz Felipe Scolari não conseguiu disfarçar a frustração com a ausência de quatro atletas na apresentação do grupo, nesta terça-feira, na capital paranaense, no começo dos preparativos para o jogo com o Paraguai, dia 15, pelas eliminatórias do Mundial de 2002. Cabisbaixo, com fisionomia tensa e irritada, o treinador reconheceu que a seleção terá ?um grande prejuízo? com o desfalque de Rivaldo, Élber, Lúcio e Júnior, para o amistoso de quinta-feira com o Panamá. Eles não foram liberados por seus clubes.Scolari pretendia levar a campo na quinta, na Arena da Baixada, o time-base para a partida contra o Paraguai, muito importante para o Brasil tentar se afastar da zona de eliminação. Vai ser obrigado a mudar os planos e admitiu até chamar substitutos, embora não vá desconvocar nenhum dos quatro, para que eles não tenham condições de atuar por seus clubes. Uma coisa é certa: Romário não virá dessa vez. Scolari chegou a discutir com um repórter que insistia em saber sua posição a respeito do atacante do Vasco.O treinador disse que não cederia a pressões para relacionar Romário, numa eventual ausência de Élber. ?Se não o convoquei há seis dias, por que vou chamá-lo agora? Não adianta lobby para cima de mim, não dá em nada.?Scolari disse ter a informação de que Rivaldo chegará quinta-feira, mas deixou claro que o jogador do Barcelona não vai mais atuar contra o Panamá. Sobre os outros três, disse não saber ao certo quando devem se apresentar. ?Pelo que entendi, eles vão vir quatro dias antes da partida contra o Paraguai, mas não sei?, declarou, balançando a cabeça negativamente. ?O prejuízo vai ser muito grande, eu tinha uma idéia que não vou poder pôr em prática.?Em tom de desabafo, o técnico da seleção pediu uma solução para a constante briga dos clubes com a seleção, sobre liberação de atletas. ?Temos de ter condições de dar um basta nisso tudo.?O mal-estar atingiu todo o grupo. ?O problema é o calendário?, apontou o meia Leonardo, feliz com seu retorno à seleção, depois de dois anos fora, por causa de um desentendimento com o então técnico da seleção Wanderley Luxemburgo. ?É desagradável, mas isso é uma questão para a diretoria?, observou Alex, que conseguiu passe livre e já tem proposta de clubes europeus. Até o sempre contido coordenador-técnico Antônio Lopes mostrou-se decepcionado e nervoso com a polêmica. ?Não vieram? Paciência, então.?RECLAMACÕES - No moderno, mas pouco funcional Centro de Treinamento do Atlético-PR, Scolari comandou à tarde um treino leve para os 18 jogadores. Eles tinham de dar toques rápidos num pequeno espaço de campo. Quem errava, trocava de colete. Depois, houve uma seqüência de chutes a gol. Como foi um treino sem atrativos, a torcida ensaiou alguns protestos. Para o amistoso com a seleção do Panamá, a Federação de Futebol do Paraná pôs 28 mil ingressos à disposição do público.

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