Montagem: Jorge Adorno/Reuters e Alex Silva/Estadão
Montagem: Jorge Adorno/Reuters e Alex Silva/Estadão

Líder do Brasileirão, Felipão repete o caminho de Cuca no Palmeiras

Treinador deste ano faz campanha muito parecida à de 2016, quando o time foi campeão; até a atuação de Dudu lembra aquela temporada

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 05h00

O palmeirense vai matar a charada. Quando o Palmeiras teve as seguintes características: defesa intransponível, variação ofensiva (jogadas longas ou trabalho cadenciado de bola), grande fase de Dudu e uma campanha espetacular no segundo turno do Campeonato Brasileiro? Para facilitar: tudo isso aconteceu em 2016 ou 2018? Acertou quem respondeu: os dois. O Palmeiras de Felipão repete o caminho traçado por Cuca na conquista do torneio nacional dois anos atrás. Com um detalhe: com um elenco maior e melhor, o Palmeiras evoluiu.

Até as campanhas são parecidas. Há dois anos, o time alviverde tinha três pontos de vantagem sobre o Flamengo após a 29.ª rodada (60 a 57). Hoje, a gordura é a mesma para o Inter, mas com um ponto a menos (59 a 56).

Sob o comando de Cuca, que hoje está no Santos, o líder ficou 15 partidas sem perder (dez vitórias e cinco empates). Com Felipão, o time já soma 14 jogos invicto (11 vitórias e três empates). Só falta o jogo diante do Ceará, domingo, no Pacaembu, para igualar o recorde do antecessor. Desses 14 confrontos, um foi sob o comando do técnico do sub-20, Wesley Carvalho, e os outros 13 com Felipão.

As semelhanças estão além dos padrões numéricos. Felipão parece ter bebido na fonte do título conquistado por Cuca. São estilos simétricos. A última partida, por exemplo, quando o líder venceu por 2 a 0 e praticamente despachou o Grêmio, atual campeão da América, da disputa nacional, oferece várias comparações. Uma das virtudes foi a concentração no trabalho sem a bola. O Palmeiras tenta encaixar a marcação por setor. Quando um gremista recebia a bola, ele era imediatamente pressionado pelo marcador. Nas triangulações, quase nunca o Palmeiras permitia o terceiro homem livre. O time ficou ligado os 90 minutos de disputa. Com Cuca era a mesma coisa.

Felipão e Cuca também gostam de ligação direta e velocidade. É uma espécie de respiro, um jeito de surpreender o rival em um jogo morno. Tanto ontem quanto hoje, o personagem central é o mesmo: Dudu. Ele é o responsável por engatar a terceira, quarta e quinta marchas e deixar os atacantes na cara do gol. De acordo com o Footstats, site especializado em estatísticas do futebol, Dudu tem dez assistências no Brasileirão. É o atleta com mais passes para gol. Everton, Luan e Ricardo Oliveira estão empatados em segundo lugar com seis cada um. Dois anos atrás, Dudu também deu dez assistências jogando praticamente do mesmo jeito.

“O que temos feito é manter os pés no chão e fazer aquilo que nos trouxe até aqui, brigando muito e marcando muito, tendo uma consistência ofensiva e defensiva. Nós precisamos manter isso”, avaliou o meia Moisés, outro titular remanescente da conquista de dois anos atrás.

EVOLUÇÃO

O time de Felipão, pelo menos até aqui, parece uma evolução daquele Palmeiras que levantou a taça em 2016. Returno de oito vitórias e dois empates, 16 gols a favor e apenas cinco contra. Os resultados positivos ocorrem com menos sofrimento. Dois fatores ajudam a explicar isso. O primeiro é a presença de um elenco melhor e mais homogêneo. Os exemplos vão ficar em apenas duas posições: camisa 9 e camisa 10. No ataque, Borja é o artilheiro da Libertadores e se firmou como camisa 9 da Colômbia. Deyverson se tornou o goleador de Felipão com sete gols. Na armação, Moisés é titular; Lucas Lima é banco e Gustavo Scarpa voltou a ser relacionado após se recuperar de uma lesão. 

Com isso, o treinador pode mesclar cada vez mais titulares e reservas sem queda de desempenho. São duas escalações diferentes e igualmente competitivas. O Palmeiras que disputa o Brasileirão tem 68% de chances de ser campeão, de acordo com o matemático Tristão Garcia. A equipe que joga a Libertadores, com outra escalação, está na semifinal diante do Boca Juniors. A confiança do grupo aumentou por conta dos bons resultados.

Outro fator é o lado emocional. Cuca teve de administrar um jejum de 22 anos sem títulos brasileiros. O clima era mais tenso. Pesado. Hoje, o Brasileiro não é a prioridade, deixou de ser obsessão. Tudo flui melhor.

“Vamos jogar nove decisões. A gente tem nove jogos e nenhum mais importante do que o outro. Fazendo isso, levando do discurso para a prática, a gente está conseguindo fazer boas partidas. Todos se sentem importantes no time e dão sua contribuição”, comentou o goleiro Fernando Prass, que foi reserva de Jailson em 2016 e hoje vê Weverton ser o titular da equipe.

A consistência tática, e o repertório do grupo, torna difícil acreditar que possa surgir um “fato novo” que comprometa o favoritismo do Palmeiras. A única possibilidade parece ser a interferência da Libertadores – em caso de sucesso ou de fracasso. Um adendo: o time tem um jogo-chave diante do Flamengo, no Maracanã. Deve ser a última barreira no Brasileirão.

 

 

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Garotada do sub-20 também briga por uma taça

Meninos de Palmeiras e Vitória disputam a final do Brasileiro da categoria em jogos de ida e volta. Começa nesta quinta-feira, na Bahia

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 05h00

Paralelamente ao entusiasmo com a disputa de dois títulos com o time principal (Libertadores e Campeonato Brasileiro), o Palmeiras começa hoje a decidir um título inédito nas categorias de base. A equipe do técnico Wesley Carvalho enfrenta o Vitória, no Barradão, em Salvador, no jogo de ida das finais do Campeonato Brasileiro Sub-20, às 21h30. O confronto será transmitido ao vivo pelo SporTV e pela ESPN Brasil. A decisão será na semana que vem no Allianz Parque. 

No ano passado, o time parou na primeira fase do torneio e acabou conquistando apenas o Paulista da categoria. Com a chegada de Felipão, a equipe acabou se espelhando no time principal, dentro e fora de campo. O próprio Wesley enumera várias características semelhantes entre adultos e jovens.

“Temos zagueiros que buscam a construção do jogo sempre que possível, laterais participativos na organização ofensiva, volantes divididos entre os quem marcam mais, como primeiros volantes, e outros que fazem o ‘box to box’”, diz Wesley. “O meia também busca sempre entrar na área e fazer boas assistências. No ataque, utilizo dois extremos velozes que atacam o espaço e fazem flutuações entre linhas e um centroavante mais de área”, completa.

O atacante Papagaio, destaque da equipe com nove gols e que já teve chances no time principal, concorda. “São times parecidos em relação ao modelo e estilo de jogo. São equipes com muita técnica, que buscam ficar com a bola e aproveitar as chances. Também fazem marcação agressiva, buscando sempre pressionar o jogador que tem a bola, e controlar a partida”, diz.

O Palmeiras chega à decisão com a melhor campanha do torneio. São sete vitórias, quatro empates e uma derrota no total, além do melhor ataque, com 27 gols marcados, e a defesa menos vazada, com apenas 12 gols sofridos na competição.

Com a formação de dois times por Felipão, um para o Brasileiro e outro para a Libertadores, as oportunidades de escalação dos garotos diminuíram. Mas Papagaio aguarda sua vez. “Posso treinar ao lado de grandes jogadores do elenco, e isso nos deixa mais preparados para a sequência da carreira. Temos de seguir trabalhando com tranquilidade e se preparar para quando a chance surgir.”

O campeão brasileiro enfrentará o São Paulo, que venceu a Copa do Brasil, na Supercopa do Brasil. O vencedor vai ficar com a vaga do Brasil na Copa Libertadores Sub-20 no ano que vem.

 

 

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