Paulo Pinto/Estadão
Paulo Pinto/Estadão

Felipão, 'São' Marcos e axé: Palmeiras completa 20 anos do título da Libertadores

Clube celebra aniversário de título que consagrou ídolos e marcou época pela vitória sobre o Corinthians

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2019 | 04h30

Para colocar a bandeira alviverde no topo da América do Sul o Palmeiras misturou em 1999 a tradição italiana, a 'santidade' de um goleiro, a influência baiana e o comando de um gaúcho. Um time com tamanha variedade de ingredientes se tornou imbatível no continente naquele ano e fechou a jornada vitoriosa com título da Copa Libertadores e uma imensa festa há exatos 20 anos, quando deu volta olímpica no antigo Palestra Itália.

O Palmeiras de 1999 se tornou o campeão continental ao se fortalecer ao longo da competição e presenciar naquele torneio a consolidação de um ídolo. O então goleiro reserva Marcos ganhou chance ao substituir Velloso e terminou a campanha como um ídolo "canonizado", chamado de santo pela torcida e ser decisivo durante a campanha. As mãos dele seguraram, por exemplo, um pênalti diante do Corinthians nas quartas de final, um dos duelos mais marcantes da competição.

"Nosso time era muito bom tecnicamente. Muitos jogadores praticamente de seleção, que estavam direto nas convocações", disse Marcos na última quinta-feira. O Palmeiras reuniu os campeões de 1999 para uma festa no Allianz Parque. O time deste ano sonha em repetir a façanha e conta, inclusive com o mesmo técnico daquela época. "Encontrar os jogadores é sempre muito bom. São lembranças boas, histórias engraçadas, detalhes que são relembrados", relembrou o meia Alex.

Antes de erguer a taça em São Paulo na fria noite de 16 de junho de 1999 o Palmeiras penou. O time passou pela fase de grupos em segundo lugar, atrás do rival Corinthians, e teria pela frente nas oitavas de final o Vasco, atual campeão da Libertadores. Para piorar, os times empataram por 1 a 1 no Palestra Itália no jogo de ida, em atuação ruim do clube alviverde.

Antes da partida em São Januário, na volta, o zagueiro Junior Baiano conversou com o técnico Luiz Felipe Scolari e levou ao centro de treinamento o grupo de axé Chiclete com Banana. Os integrantes da banda eram amigos do defensor, divulgavam na época um novo álbum e distribuíram camisas ao elenco da época. Dias depois, em um jogo muito movimentado, o Palmeiras fez 4 a 2 no Vasco e se classificou.

A vaga foi motivo de vibração no elenco. Até mesmo a camisa entregue pelos integrantes da banda virou uma espécie de talismã na noite de classificação, pois a peça era na cor verde e tinha no centro uma flor na cor branca. O Palmeiras resgatou a confiança e teria nas quartas de final o aguardado encontro com o rival, Corinthians. Seriam dois jogos no Morumbi.

Com uma vitória por 2 a 0 para cada lado, a disputa por classificação à semifinal foi para os pênaltis. A época noite marcaria a carreira de Marcos. O goleiro defendeu a cobrança de Vampeta e colocou o time na fase seguinte. Após anos anteriores de parceria vitoriosa com a Parmalat, o Palmeiras se aproximava do título da Libertadores, mas teria pela frente um dos rivais mais perigosos.

O River Plate, da Argentina, era um time técnico, experiente e temido. O Palmeiras perdeu por 1 a 0 na ida, em Buenos Aires, e até comemorou. A desvantagem era pequena, pois com um time talentoso e a força da torcida, na semana seguinte a virada em São Paulo parecia encaminhada. Não deu outra. O meia Alex comandou a partida, marcou duas vezes, Roque Junior fez o outro e com o placar de 3 a 0, o time alviverde chegou à decisão como favorito.  

Do outro lado estava o Deportivo Cali, da Colômbia. A equipe havia passado por adversários menos badalados no caminho até a decisão e abriu vantagem no primeiro jogo, ao ganhar por 1 a 0. Ainda assim o Palmeiras estava confiante. Felipão e os demais jogadores celebraram a pequena desvantagem, pois confiavam novamente na força do Palestra Itália para a grande decisão.

O jogo não foi tão fácil quanto contra o River Plate. Tenso, o Palmeiras saiu na frente no segundo tempo, com Evair, e levou o empate logo depois. Porém, novamente a influência baiana resolveria. Oséas fez 2 a 1 e levou a decisão para os pênaltis. Apesar de começar a série com um revés, com o erro na cobrança de Zinho, o Palmeiras fechou a vitória por 4 a 3.

A América do Sul se tornou alviverde em 1999, temporada inesquecível para os torcedores. O Palmeiras superou dificuldades, misturou diferentes influências e fez reforçar na torcida desde então o desejo de rever o clube dominar novamente o continente.

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