Felipão x Adílson: duelo de amigos em clássico no Pacaembu

Técnicos de Palmeiras e Corinthians foram companheiros em fase vitoriosa do Grêmio e no Júbilo Iwata, do Japão

RAFAEL VERGUEIRO - limão.com.br

01 Agosto 2010 | 09h14

Em meados dos anos 90 do século passado, o Grêmio era a equipe mais admirada do futebol nacional. Conquistava um título atrás do outro e era temido pelos rivais quando entrava em campo, principalmente em seu estádio, o Olímpico, em Porto Alegre. O time, comandado por Luiz Felipe Scolari, faturou a Copa Libertadores de 1995 e no ano seguinte ainda levantou a taça do Brasileirão. Um dos principais nomes do grupo era o zagueiro Adílson Batista, que segurava as pontas na defesa ao lado de Rivarola, para que Paulo Nunes e Jardel pudessem brilhar no ataque.

Com o sabor das conquistas, Felipão e Adílson se tornaram bons amigos na época, e a amizade se estendeu até o outro lado do mundo. Em 1997, Scolari foi treinar o Júbilo Iwata, do Japão, e levou Adílson para comandar o sistema defensivo da equipe. As famílias dos dois ficaram ainda mais unidas e até hoje se conversam.

Mas pelo menos neste domingo a boa convivência terá que ficar de lado. O agora técnico Adílson Batista estreia no comando do Corinthians justamente contra o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari, em importante clássico marcado para as 16 horas no Pacaembu, pela 12.ª rodada do campeonato Brasileiro.

No entanto, apesar da situação curiosa, a admiração de Adílson pelo 'mestre' não diminui. Em 2001, quando dava os primeiros passos como treinador, recebeu muitas dicas de Scolari, que estava no Cruzeiro e logo depois saiu para comandar a seleção brasileira rumo ao pentacampeonato mundial em 2002. "É uma pessoa que tenho carinho e admiração", declara.

Felipão, por sua vez, também lembra com alegria do tempo em que era companheiro de clube de Adílson. "Era excelente jogador, bem melhor do que eu. Gostava muito de trabalhar com ele".

A amizade de longa data permite até algumas brincadeiras. Felipão diz que Adílson "sabia marcar e bater" quando era jogador, enquanto Adílson lembra um episódio da Libertadores de 2000, quando ele era zagueiro do Corinthians e Felipão treinava o Palmeiras. Na ocasião, antes de um clássico decisivo, Scolari foi flagrado pela imprensa aos gritos com seus jogadores no vestiário. "Ele deixou a janela aberta para todos ouvirem", afirma o hoje técnico corintiano, mostrando ser um bom conhecedor das estratégias do amigo.

Para Felipão, Adílson ainda fará muito sucesso como treinador no futebol nacional. "E tem uma grande qualidade, ele é um gentleman, algo que eu não sou". Já o pupilo sabe qual é o grande segredo do rival deste domingo. "É um grande profissional, conhece futebol como poucos, enxerga demais".

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