Felipe está em "casa" no Palmeiras

Quando o lateral-esquerdo Felipe chegou ao Palmeiras por empréstimo, envolvido na negociação que cedeu o atacante Euller ao Vasco, muitos diziam que o clube paulista havia levado um golpe do presidente vascaíno, Eurico Miranda. Mas bastaram três partidas para as opiniões mudarem.Hoje, qualquer apreciador do bom futebol considera a técnica de Felipe muito superior à de Euller, ainda mais com o lateral próximo de atingir sua melhor forma física. "Estou surpreso com a rapidez com que venho evoluindo fisicamente", observou o jogador de 23 anos, que chegou ao Palmeiras sem ritmo de jogo.Em litígio com o Vasco, no qual ficou meses sem receber salário, o jogador não atuava em uma partida oficial há quase dois meses antes de estrear pelo Palmeiras, contra o Universidad de Chile, pela Libertadores.Em sua estréia no Palestra Itália, Felipe deu uma de bom malandro carioca. Jogou muito bem no primeiro tempo, mas cansou-se no segundo e, com a ?língua de fora?, negociou sua substituição com o técnico Celso Roth. Mãos na cintura, ele gesticulava as possibilidades táticas que sua saída poderia gerar, tentando convencer o treinador. Contra o São Paulo, no entanto, teve problemas para marcar Belletti e sua equipe perdeu por 3 a 0.Mas a partir do jogo contra o Sport Boys, Felipe deslanchou. Mostrou que o futebol brasileiro ainda pode reviver seus bons tempos de glória, com dribles ousados, que fazem os torcedores voltarem aos estádios com prazer. Seu movimento na hora do drible lembra o dos velhos malabaristas do futebol. Felipe ginga para um lado e para o outro. Seu marcador, tentando disfarçar o receio de levar um "olé", fica parado à sua frente, na ilusão de dar o bote e desarmá-lo, o que nunca consegue fazer. Quando o adversário percebe, Felipe saiu por fora, repetindo sempre o mesmo drible.O jogador garante que o fato de estar se sentindo bem em seu novo clube influencia seu desempenho. "Estou fazendo novos amigos e o grupo está unido. A experiência está sendo ótima." Nem o fato de ter se tornado mais um dos milhões de paulistanos solitários o assusta. "Sabia que sentiria saudades do Rio, mas isto faz parte."Ele só não concorda com a fama de jogador-problema, que gosta de sair à noite, sem se preocupar com os treinos do dia seguinte. "Quem fala isso não me conhece. Prefiro ficar em casa, curtindo a família."Clássico - O Palmeiras treinou nesta quarta-feira para a partida contra o Santos, domingo, na Vila Belmiro. O técnico Celso Roth deverá manter o esquema 3-5-2, mas não se mostrou disposto a perdoar o meia Lopes, que faltou ao treino de sexta-feira.

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