Feliz da vida, Vanderlei Luxemburgo aposta em título

Técnico destaca projeto do Palmeiras e diz que jogadores adquiriram espírito de campeão

Juliano Costa, Jornal da Tarde

12 de abril de 2008 | 16h46

Vanderlei Luxemburgo é flamenguista de coração, mas quando o assunto é trabalho, ele pende para o Palmeiras. É o clube em que ele passou a maior parte de seus 25 anos de carreira como técnico. Já comandou o time em 280 jogos. Voltou este ano, empolgado com o projeto milionário da Traffic. "Este time vai ser campeão. Não sei se vai ser já agora, mas não tenho dúvidas de que o projeto será vitorioso". Veja também: O Palestra Itália tem condições de sediar o segundo jogo da semifinal? Quais times estarão na final do Campeonato Paulista? Serviço: para quem vai ao jogo no Morumbi  Luxa sustenta seu ponto de vista lembrando que o supertime de 93 e 94, montado por outra parceira (a Parmalat), também demorou a deslanchar. "A equipe foi campeã em 93, mas devia ter sido já em 92, com o Chapinha [Otacílio Gonçalves, seu antecessor]. Eu peguei um projeto praticamente pronto. Só dei seqüência". A fase agora é tão boa que muito torcedor compara este time de Valdivia & Cia. com aquele de Edmundo e Evair. A missão é a mesma: tirar o Palmeiras de um jejum de títulos. Naquela época, a seca durou 17 anos. Agora, já são nove. Desde a Libertadores de 99, o clube não conquista um título importante. "O Palmeiras está precisando disso". CAMPEÕESO time não perde há 14 jogos. Nos últimos 10, venceu todos, a maioria com facilidade. Com um grande leque de opções ofensivas - Valdivia, Diego Souza, Kléber, Alex Mineiro, Denílson, Lenny... -, Luxa montou um Palmeiras que, dentro da realidade do futebol brasileiro, dá para ser chamado de "time dos sonhos". Ou alguém discorda que o Palmeiras tem o melhor elenco do Brasil? "Montei um time com vários jogadores campeões por onde passaram, mas que ainda não conquistaram nada com o Palmeiras. É o contrário do São Paulo, que tem uma base acostumada a disputar e conquistar títulos", afirma Luxemburgo. É por isso, ele argumenta, que não dá para apontar o Palmeiras como favorito nas semifinais. "Mata-mata é difícil. Não dá para errar. Nos pontos corridos, é possível começar mal e reagir, como fizemos na primeira fase do Paulistão. Mas no mata-mata, se errarmos somos eliminados". Escaldado, Luxa fez de tudo para proteger o time durante a semana, enquanto o rival caía no Chile diante do Audax, pela Libertadores. O Palmeiras treinou em Atibaia até sexta-feira. Só não ficou até no sábado porque o hotel estava lotado e Luxa queria privacidade para seus jogadores. No CT, ele comandou um treino secreto na sexta à tarde e ressaltou a importância de os jogadores não entrarem em polêmica. Foi por isso que Valdivia, Kléber e Denílson passaram longe da sala de imprensa. "Nada contra vocês (jornalistas), que estão apenas trabalhando", diz Luxa. "O que me preocupava é que só iriam perguntar a eles sobre o passado, e nada sobre o jogo. Na minha opinião, é momento de se concentrar no clássico". Luxa é quem possui o melhor aproveitamento de pontos dentre os 88 técnicos da história do Palmeiras. Foram 173 vitórias, 61 empates e 46 derrotas, tendo conquistado 69% dos pontos que disputou. "Fico feliz de ter atingido uma marca tão significativa, pois mostra a bonita história que eu tenho aqui no Palmeiras. Mas não quero parar nesses números. Ambiciono novos objetivos no clube". A ligação dele com o clube poderia ser ainda mais antiga. "Em 1975, quase vim jogar no Palmeiras. O Flamengo tinha até aceitado me vender. Mas aí mudou o técnico aqui e acabei não vindo".

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