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Fenômenos gaúchos

O Grêmio e o técnico Renato Portaluppi andam na moda, estão com tudo e bem prosas

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2018 | 05h00

O Grêmio é a sensação do momento, está com tudo e muito prosa. Assim como o responsável pela trupe, o treinador Renato Gaúcho. Este, aliás, sempre vive para cima, curte até as fases de desemprego com temporadas na praia e incontáveis campeonatos de futevôlei. Um bon vivant, e não é de hoje. Por acaso está errado?! Ora.

O campeão da América atravessa período de encher os olhos dos próprios torcedores – e de quem aprecia o bom futebol – e de atormentar o sono de rivais. Joga fácil e leve, descomplica os desafios aparentemente árduos e deu para desandar a fazer gols. Um despautério! De certa maneira, encarnou o estilo gaiato do técnico – e aí vai elogio eloquente.

Na verdade, admito, há também um certo estereótipo ao delinear o tipo e o comportamento de Renato. Certo, é tagarela, irônico, foge de lugares-comuns em entrevistas e domina a arte de autopromover-se. Mas, nesta etapa de vida e carreira, o faz com razão. Desde que desembarcou no clube, mais de um ano atrás, teve o mérito de formatar equipe vencedora e equilibrada.

Talvez esteja nesse aspecto o segredo do êxito do Grêmio: equilíbrio, que pode ser entendido como soma de eficiência tática, suficiência técnica, serenidade psicológica, união, autoconfiança (não confundir com presunção). O conjunto é forte, além de contar com talentos que sobressaem e decidem. 

Renato Portaluppi tem tudo a ver com panorama tão favorável. Herdou um grupo formatado por Roger Machado e Felipão, perdeu peças, mas juntou ao todo atletas que andavam dispersos Brasil afora e em baixa. Deu-lhes guarida, espaço, confiança e colhe, como retorno, sucesso em diversas frentes. 

Nem Grêmio tampouco Renato reinventaram o jogo de bola. Não se trata de versão 2018 da máquina húngara dos anos 50, da seleção brasileira bicampeã do mundo em 58 e 62, da Holanda de 74, do Barcelona de história recente. O tricolor é sofisticadamente simples. Há harmonia entre os setores, raros os episódios de desafinação.

A defesa se garante a partir da segurança de Marcelo Grohe e passa pela longevidade de Léo Moura, a colocação de Geromel, a liderança de Kannemann, o trabalho discreto e prático de Cortez. Há os incansáveis Maicon, Ramiro e Everton para abastecer a habilidade de Arthur e Luan. Na frente, o topetudo Jael e o “cigano” André se revezam na formação titular. Ao menos a metade dessa rapaziada poderia entrar na lista de Tite para a Copa. 

Exagero? Empolgação? Ilusão por causa de goleadas sobre Cerro Porteño e Santos em poucos dias? Pode ser tudo isso e um pouco mais. Sobretudo há reconhecimento pelo desempenho e não por resultados. Se mantiver o ritmo atual, o Grêmio tem como provar os prognósticos ufanistas de Renato e lutar por títulos na Copa do Brasil, na Libertadores, no Brasileiro. O Estadual papou sem muito atropelos, a partir do momento em que a tropa principal entrou em campo, após período de férias diferente dos demais.

Vivemos a reclamar da monotonia de nosso futebol. Então, quando um time destoa, merece elogios. Que Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo, outros com elencos variados e bons, sigam estrada semelhante. Fica só o temor: quando começará o desmanche gremista? Pois esta é a sina de nossos clubes. Infelizmente.

 

EFEITO MOISÉS 

O Palmeiras tem uma infinidade de opções para compor o meio-campo. Não por que Roger Machado deva lamentar-se. No entanto, uma das melhores é Moisés. Em forma, o moço comprova categoria refinada, como na campanha vitoriosa do Brasileiro de 2016. Teve problemas físicos no ano passado, voltou aos poucos – e bem – nesta temporada. Contundiu-se de novo. Baixa relevante. Com ele em campo, o Palmeiras se robustece. 

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