Ferguson fica no Manchester até 2006

Alex Ferguson continua com prestígio no Manchester United. Apesar de desentendimentos com dois dos principais acionistas do clube inglês, além de dúvidas em torno da lisura de algumas recentes contratações, o treinador teve contrato prorrogado até o fim de junho de 2006. O atual compromisso, assinado no ano passado, vence em 2005, e o diretor geral David Gill disse que a renovação foi demonstração de confiança no trabalho. O escocês está no clube desde 1986 ? e sua permanência é recorde no futebol britânico. A explicação de Gill é verdadeira, mas em parte. O clube de fato comprovou interesse de continuar com o treinador que lhe deu as maiores conquistas na história. Mas o prazo só não foi maior por pressão de John Magnier e J. P. McManus, dois milionários irlandeses que têm em conjunto 25% das ações do Manchester United. A dupla manifestou descontentamento com Ferguson e pediu para ler os termos do acordo para ver se o aprovam. Há também um aspecto econômico nessa extensão de pouca duração. Os magnatas fizeram as contas e chegaram à conclusão de que deveriam pagar indenização menor, caso optem pela demissão antes do fim da vigência do contrato. ?Estamos muito felizes de que ?sir? Alex continue conosco?, afirmou Gill, em comunicado oficial. ?Seu desempenho fantástico, seu amor à equipe e o desejo de formar uma equipe extraordinária nunca diminuíram.? Ferguson, 62 anos, tem trajetória espetacular. Desde que chegou ao clube, em 1986, conquistou oito títulos ingleses, três Copas da Inglaterra, uma recopa, uma Copa dos Campeões, um Mundial Interclubes. Com o tempo, ganhou poderes de dirigente, a ponto de interferir diretamente na busca de reforços. Sua imagem sofreu arranhões com denúncias de que houve irregularidades na compra de passes de jogadores como o norte-americano Howard e o brasileiro Kleberson. Um de seus filhos, que também é empresário, teria recebido altas comissões para intermediar as transferências. O Manchester autorizou a Federação Inglesa a abrir investigação. Ferguson também processou seu patrão Magnier, em tribunal irlandês, por se sentir lesado nos prêmios conquistados pelo cavalo Rock of Gibraltar. Os dois são sócios do animal, mas o empresário teria ficado com percentual maior em vitórias em vários GPs britânicos.

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